São Manuel - Um templo centenário, pertencente à Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, desabou no último domingo, no Centro de São Manuel (69 quilômetros de Bauru). Presbíteros da Igreja atribuem o acidente às obras de uma empreiteira no terreno ao lado, que teria retirado o muro de proteção e comprometido a estrutura do prédio.
“Ele (o templo) ia completar 107 anos de fundação em novembro deste ano”, lamenta o presbítero Daniel Viera dos Santos. A Igreja fica na rua Epitácio Pessoa, 518, cerca de 150 metros do centro financeiro de São Manuel.
De acordo com o presbítero, em fevereiro deste ano a empreiteira teria cometido a imprudência de retirar o muro de arrimo do templo, o que teria causado danos à estrutura do prédio.
“Jamais deixaria um barranco sem muro de arrimo por mais de um mês”, diz. “Ocorreram algumas chuvas aqui em São Manuel. A mais forte foi no sábado à noite. Mas já tinha caído o muro de arrimo, tinha desbarrancado”, comenta Santos.
Segundo ele, começaram a aparecer trincas na parede, obrigando-os a evacuar o prédio com medo de desabamento. “Desmoronou o barranco de terra, trincou a Igreja e nós tivemos tempo, no sábado último, de desmontar tudo, tirar os papéis e arquivos da história da igreja. Tiramos os bancos, instrumentos musicais e esvaziamos o local”, detalha.
No dia seguinte, no domingo de Páscoa, os temores do presbítero se confirmaram e o templo desabou às 10h15. “Os pedreiros da construtora estavam tentando fazer escora. Na hora que caiu, por sorte, ele desmoronou na vertical e não causou nenhum dano aos pedreiros que estavam lá”, relata.
Santos conta que, por muito pouco, funcionários do Instituto de Criminalística de Botucatu não foram vítimas do desabamento. “Eles haviam marcado para fazer a perícia exatamente às 10h do domingo. Sorte que a perícia chegou atrasada, às 10h30, senão teria desabado a Igreja com o pessoal da perícia lá dentro”, detalha.
Ressarcimento
Os responsáveis pelo terreno e pela empreiteira reconhecem o dano ao templo causado pelas obras e prometem ressarcir todos os prejuízos.
“Nós já entramos em contato, já tivemos uma reunião com o pessoal da Igreja Presbiteriana. Nosso objetivo ali é ressarcir todos os danos causados. Foi um erro nosso”, diz Rogério Godinho, que falou em nome do proprietário do terreno. “Nós fizemos a proposta de reforma total do imóvel ou a compra dele. Em princípio tudo que for possível para ressarcir os danos deles nós vamos fazer”, garante.
O presbítero explica que deve ser agendada uma assembléia para reunir os membros da Igreja e decidir sobre a proposta. “Temos que marcar data para a assembléia e vamos decidir se nós vamos vender o terreno e começar a construção de um novo templo ou se nós vamos reformar o atual. Estamos fazendo também acordo com o pessoal que derrubou e eles estão propícios a fazer o ressarcimento”, confirma Santos.
Enquanto o novo templo não fica pronto, o presbítero tranqüiliza os fiéis e diz que já está sendo providenciado um local provisório para continuar com as atividades religiosas. “Ainda hoje (ontem) espero conseguir uma garagem, ou um salão, ou uma casa que abrigue temporariamente as atividades da igreja”, diz. “Vamos tentar, com o acordo, num período de no máximo um ano estar novamente com o templo erguido no mesmo local ou em um outro lugar da cidade”, completa.