Internacional

Argentina: locaute já afeta o comércio entre Brasil e vizinhos

Folhapress
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Buenos Aires - O locaute dos produtores rurais argentinos, aliado à greve de auditores fiscais da Receita Federal em aduanas brasileiras, já afeta o transporte internacional de cargas no Mercosul. Ontem, existiam filas nas estações aduaneiras de Foz do Iguaçu (PR), Uruguaiana e São Borja (RS), os três principais pontos de ligação do Brasil com os países do Mercosul.

No lado argentino da fronteira, em Puerto Iguazú, mais de 500 caminhões ficaram retidos em razão do locaute. “Além do problema interno da greve dos auditores, enfrentamos o locaute dos produtores argentinos, que afeta os prazos de entrega de mercadorias”, disse o gerente-executivo da Associação Brasileira dos Transportadores Internacionais, José Élder Machado da Silva.

Segundo Silva, o prejuízo ocorre não só porque a Argentina é o destino das exportações e importações brasileiras, mas também porque ela é a principal via de transição de troca de mercadorias entre o Brasil e o Chile. “Produtos chilenos estão sendo retardados nos bloqueios argentinos, e isso pode afetar os importadores.” Segundo Silva, o custo diário de um caminhão parado é de US$ 1.000.

Conflitos

Ao menos três pessoas ficaram levemente feridas na noite de anteontem no segundo dia consecutivo de protestos na Praça de Maio, em Buenos Aires, segundo o jornal “Clarín”. A mobilização ocorrida na noite de anteontem incluiu discussões e enfrentamentos entre manifestantes encabeçados por Luis D'Elía, líder do movimento Federação de Terras e Vivendas, que apóia o governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner, e manifestantes de esquerda que apoiavam o protesto do campo.

Os insultos entre os dois grupos levaram aos enfrentamentos entre os manifestantes que deixaram três pessoas levemente feridas. Os incidentes ocorreram sem a presença da polícia, pois -diferentemente do habitual- não foram vistos efetivos na praça.

Desabastecimento

Antes restrito a açougues e aos populares mercadinhos chineses do país, o desabastecimento começa a se espalhar pelas grandes redes de supermercados de Buenos Aires. Uma pesquisa do Centro de Educação ao Consumidor constatou que 90% dos supermercados não tinha os principais cortes de carne.

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Cristina espera locaute parar

Buenos Aires - A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou ontem que “dialogar com uma arma na cabeça é muito difícil” e reiterou que só negociará com os produtores rurais depois que interromperem o locaute.

“Peço que parem com o locaute para então dialogarmos”, disse Cristina em discurso para milhares de militantes peronistas em um ato organizado por seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

A fala de Cristina foi a primeira após o duro discurso de terça-feira, no qual falara de “piquetes da abundância” e após o qual se intensificaram os protestos do setor e se iniciaram os “panelaços” da classe média em Buenos Aires e no interior. Um novo panelaço começou hoje assim que Cristina acabou de discursar.

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