Harare - A relativa calma nas ruas arborizadas do centro de Harare, capital do Zimbábue, não esconde o acirramento e o medo que invadiram as eleições presidenciais de hoje, as mais disputadas em quase três décadas.
Ontem, o ditador Robert Gabriel Mugabe, 84 anos, há 28 anos no poder, colocou as Forças Armadas em alerta máximo. Para a oposição, que tenta evitar um novo mandato de cinco anos para o presidente, trata-se de intimidação.
Nos jornais locais, o temor de fraudes é patente: “Mugabe deve vencer com 57%”, lê-se em no oficial “The Herald”; “Mugabe deve roubar nas urnas”, acusa o oposicionista “Zimbabwe Independent”.
Nas eleições, que escolherão ainda conselheiros municipais e congressistas, Mugabe é desafiado por dois candidatos: Simba Makoni, o ex-ministro das Finanças que abandonou o partido governista, Zanu-PF, e concorre como independente, e Morgan Tsvangirai, líder do Movimento pela Mudança Democrática (MDC).
Mais do que o temor de fraude, o espectro do Quênia permeia todas as conversas. Uma onda de violência pós-eleitoral, como ocorreu naquele país, não pode ser descartada. "
Se Mugabe roubar as eleições, nós temos um “plano B”, disse Luke Tamborinioke, diretor de informações da campanha de Tsvangirai, mas não disse quel.