As obras feitas pela prefeitura bauruense em quatro estádios distritais para tentar garantir a realização dos campeonatos amadores de futebol ainda não foram suficientes para que as praças esportivas reunissem condições mínimas de segurança para os torcedores e integrantes dos times. E, para se atingir esse “status”, novas obras precisarão ser executadas. Essas foram as principais conclusões de uma vistoria efetuada ontem nos locais por uma comitiva formada por representantes do Ministério Público, do Executivo e do Legislativo.
A comitiva vistoriou os estádios Sylvio de Magalhães Padilha (Vila Giunta), Horácio Alves Cunha (Parque União), Nelson Reginato do Canto (Jardim Redentor) e José Carlos Galvão de Moura (Núcleo Gasparini). O grupo foi composto pelo promotor público Fernando Masseli Helene, do Ministério Público (MP), José Alfredo Pauletto Pontes, perito do MP, José Carlos Freitas, secretário de Esportes, Célio Parisi, assessor de Gabinete, e o vereador Antônio Faria Neto (PDT).
Em todos os estádios visitados foram visíveis as melhoras das condições estruturais dos locais com as reformas implementadas pela prefeitura. Os alambrados que separam as arquibancadas dos campos ficaram mais altos e foram reforçados com cercas de arame farpado. Além disso, os vestiários também receberam pintura nova. No entanto, muitas deficiências das praças esportivas ainda continuam presentes a ponto do Ministério Público, através de seu perito, considerar que os estádios não oferecem condições mínimas de segurança até o momento e precisarão ser submetidos a novas obras.
“Em termos de segurança o conceito de condição mínima não existe, ou tem ou não. Mas vimos que o que falta para fazer, do ponto de vista econômico, está acessível, pois não são grandes obras. São pequenos arranjos construtivos que podem e devem ser feitos. Aí sim poderíamos falar em condições mínimas para que a população tenha o resguardo necessário ao espetáculo, com conforto e segurança”, enfatizou o perito José Alfredo Pauletto Pontes. E frisou:
“Se os campeonatos começassem amanhã, os estádios teriam condições de jogo, não de segurança mínima. Mas eles estão acessíveis e acho que em 20 dias as ligas, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e a prefeitura podem se empenhar. Está acessível o que tem de se fazer e visivelmente não demanda muitas despesas.”
Já o promotor Fernando Masseli Helene destacou a necessidade de conciliar o prazo para as novas reformas com o início dos campeonatos, previstos para se iniciarem no próximo dia 19. “Temos praticamente 20 dias e, se necessário, convidaremos as ligas para que atrasem o início do campeonato, a fim de que todo mundo cedendo um pouco possa se chegar a um patamar da realização das competições. E, para o ano que vem, pretendemos solicitar ao município que execute algumas melhorias nas praças esportivas para termos campeonatos amadores a contento, sem maiores problemas e para preservar os próprios do município”, salientou.
Para Helene, tais obras futuras poderiam até figurar em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). “Podemos fazer um TAC ou aguardarmos por si só que o município realize sem a intervenção do MP. O TAC existe quando há uma ausência de vontade do município, mas percebemos vontade do Executivo, que no entanto está com dificuldades financeiras e de tempo. Mas não cabe à sociedade pagar esse preço. Quer seja dessa forma ou de outra acredito que o município certamente fará essas obras de melhoria ”, argumentou o promotor, para depois completar: “É óbvio que para tudo isso será necessária a presença do policiamento, até porque o número de estádios para a realização dos campeonatos caiu de sete para quatro.”
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Obras e reunião
O perito José Alfredo Pauletto Pontes, do Ministério Público, resumiu as obras complementares que os quatro estádios distritais precisarão sofrer para reunirem as condições mínimas de segurança. No Sylvio de Magalhães Padilha, o “Padilhão”, Pontes destacou a ausência de degraus intermediários para facilitar o acesso às arquibancadas.
“Nos outros em que esses degraus já existem, é preciso sinalização mais visível para as entradas, com a colocação de placas de lotação máximo, e saídas de emergência, além de reconstituir placas de muro e reforçar os arames farpados ao longo dos muros externos. Tudo isso faz parte da segurança global dos locais”, ressaltou.
Sobre as novas obras nos estádios, o secretário de Esportes, José Carlos Freitas, disse que conversará antes com o prefeito Tuga Angerami sobre as disponibilidades financeiras para se executá-las. O assunto também voltará a ser discutido durante uma reunião no Ministério Público, marcada para a próxima quarta-feira, às 16h, com representantes das ligas amadoras de futebol, Polícia Militar e da prefeitura.