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Pedidos banais ainda interferem no atendimento feito à população

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Boa parte das 220 solicitações de ajuda que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Bauru recebe diariamente sequer deveria existir. “As pessoas pensam que estamos aqui para mandar ambulância. Nosso objetivo não é esse, mas sim regular o atendimento médico do município”, explica o médico-regulador Fábio Saab.

Em tese, apenas casos de extrema urgência deveriam solicitar o serviço. “As estatísticas mostram que, quando ocorre um acidente de trânsito grave, 50% das vítimas morrem no momento do impacto. A metade restante se divide entre os 20% que falecerão dentro de semanas e aqueles 30% que virão a óbito dentro de algumas horas e poderiam ter uma chance maior de sobrevida caso recebessem socorro imediato”, salienta o médico José Eduardo Passos, coordenador do Samu de Bauru.

“É para atender a esses 30% que o Samu foi criado”, explica. Só que, na prática, as coisas não são bem assim. No dia-a-dia, médicos responsáveis pela área de regulação têm de lidar desde situações gravíssimas, como tentativas de homicídio e acidentes automobilísticos, até indivíduos se queixando de enxaquecas ou dores de barriga.

“Quando as pessoas ligam aqui solicitando uma viatura por motivos aparentemente banais, nós, da regulação médica, vamos avaliar a situação e decidir se o envio da ambulância é de fato necessário”, explica Saab.

De acordo com ele, com medo de ter a viatura negada, muita gente apela para relatos dramáticos ou fantasiosos, na esperança de comover os profissionais do Samu. “É por isso que, quando as equipes chegam ao local de atendimento, quase nunca a situação é pior do que esperávamos. Quando a gente se nega a enviar a ambulância, alguns se ofendem e nos xingam. Alguns até falam de chamar a polícia”, afirma.

Há casos de pessoas que já esperavam até de malas prontas para serem levadas ao hospital. “O problema é que quando enviamos a ambulância para atender a um caso que não é emergencial, corremos o risco de deixar de socorrer alguém que realmente necessita de nossa ajuda”, lembra Passos.

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Pé no freio

Tudo é valido na hora de salvar uma vida... Em outros lugares isso até pode ser verdade. Aqui, nem tanto. Quando uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passa a toda velocidade por uma das avenidas de Bauru, os motoristas são obrigados a tirar o pé do acelerador, senão, correm o risco de ser multados por excesso de velocidade.

“Já solicitamos à Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) para que isentasse nossas viaturas de multas, pelo menos nos casos de extrema urgência, mas até agora não obtivemos resposta”, afirma o coordenador do Samu de Bauru, José Eduardo Passos.

Tempos atrás, na Vila Souto (zona oeste de Bauru), o aposentado Ademar José Pavani, hoje com 63 anos, começou a sentir um mal-estar. “Fui para casa, e meu estado só piorava. Foi quando chegou uma filha que é fisioterapeuta e percebeu que estava enfartando. Telefonamos para o Samu e, cinco minutos depois, eles já estavam aqui”, conta ele.

A proeza da equipe só foi conseguida porque o motorista da viatura resolveu desrespeitar as leis de trânsito. “Eles subiram a Nilo Peçanha pela contramão”, afirma o aposentado. Tudo bem “seo” Ademar, dessa vez a gente perdoa o “deslize”, pois foi por uma boa causa.

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