Bairros

O novo jeito de fazer assistência social

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Ser uma entidade beneficente no Brasil definitivamente não é fácil. Escassez de recursos, demanda crescente por atendimento social e falta de mão-de-obra estão entre os problemas que dificultam a viabilização financeira desse tipo de instituição. Para deixar para trás a pecha de “coisa de maluco”, como quem está à frente dessas entidades costuma definir tal atividade, a Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social (Aeaps) de Bauru lançou um novo desafio: profissionalizar os serviços e ações da associação.

A missão vai envolver 56 entidades legalizadas e atuantes na cidade e seus cerca de 800 dirigentes. A tarefa se mostra grandiosa quando se avalia que, se fosse uma empresa privada, a Aeaps figuraria entre os sete maiores empregadores do município. Afinal, são 1.260 empregos com carteira assinada gerados por ela, que injetam só com a folha de pagamento R$ 1,2 milhão mensais no mercado.

Além dos postos de trabalho, as entidades juntas atendem diariamente cerca de 10.700 pessoas tanto na área de assistência social quanto educacional e mantêm 110 projetos sociais em andamento.

“Todos esses números já seriam necessários para falarmos em profissionalizar o atendimento as entidades conveniadas, mas a busca por novos recursos tantos públicos quanto privados é a maior motivação”, afirma Paulo Canalli, presidente da Aeaps.

Além disso, lembra Canalli, cada vez mais existe uma semelhança entre administração de Organizações Não Governamentais (ONGs), como a Aeaps, com outros setores da economia. “Hoje, o contexto é outro. Essas entidades foram criadas de maneira errada; foram idealizadas com o coração quando deveriam ter sido com a razão”, opina. Por essa razão, complementa o dirigente, para buscar novos parceiros e mais recursos, uma entidade precisa possuir uma administração profissional.

Mas, para isso, as mudanças e implantações nas entidades associada à Aeaps deverão ser realizadas de forma gradativa. “A parceria com a Beneplan, empresa de plano de saúde do Hospital Beneficência Portuguesa, que irá repassar a entidades um percentual do seu faturamento mensal, é apenas o começo”, sinaliza.

Canalli pretende oferecer às entidades ligadas à associação assessoria jurídica e fiscal. “Em um primeiro momento vamos contratar um profissional ou uma empresa para oferecer serviços jurídicos para as entidades e depois vamos centralizar todo o serviço burocrático fiscal e de prestação de contas na Aeaps para desonerar nossos associados”, conta. Essas mudanças foram discutidas e aprovadas por todos os integrantes da associação.

A decisão da diretoria da Aeaps de profissionalizar seus serviços é vista como positiva pela professora Ana Lúcia Jansen de Mello de Santana, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre o Terceiro Setor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Sem dúvida, planejar estrategicamente a organização para que ela mantenha sustentáculo não só financeiro, mas humano e material, é o necessário para que elas sobrevivam”, sustenta.

De acordo com Santana, existe uma competitividade crescente na busca dos recursos disponíveis oriundos do poder público e da iniciativa privada. “Tem que se administrar com competência e eficiência para que o resultado atingido por essas organizações seja no lado social o mais eficiente possível”, completa.

Nessa nova etapa da associação, Canalli pretende contar com o apoio de profissionais de todos os ramos, inclusive os que trabalharam por muito tempo em empresas estatais e bancos e que hoje têm seu tempo ocioso. “Temos muitas pessoas assim em Bauru, que passam a maior parte do seu dia sem ter o que fazer. É do serviço desses profissionais que a associação precisa”, avisa.

Canalli espera contar com o serviço voluntário dessas pessoas para elaborar novos projetos e “brigar” por mais recursos.

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