O processo de profissionalização das ações da Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social (Aeaps) de Bauru, que congrega 56 entidades assistenciais da cidade, deverá ser realizado em etapas. O processo, no entanto, é irreversível. É o que garante o presidente da associação, Paulo Canalli.
Dessa nova fase da associação, a primeira iniciativa é a parceria com a Beneplan, que repassará a Aeaps um percentual do seu faturamento mensal. Em contrapartida, as entidades vão atuar como corretoras na venda de planos de saúde da empresa e receberão 50% do que a corretora ganharia.
Canalli pretende colocar em breve à disposição das entidades associadas serviços jurídicos. “Com a entrada de novos recursos, poderemos oferecer mais tranqüilidade aos diretores e assistência jurídica para as entidades. Num próximo momento, deveremos contratar um escritório ou mesmo um profissional para prestar essa assistência na associação”, anuncia.
De acordo com Canalli, pela lei, todos os dirigentes das entidades, mesmo os beneméritos, são responsáveis civil e criminalmente por qualquer problema que vier a acontecer com um dos assistidos.
O presidente da Aeaps também lembra a necessidade de ampliar o assessoramento fiscal das entidades. “Quem dirige uma dessas instituições acaba puxando para si toda a responsabilidade tributária civil e criminal, é como se fosse uma empresa”, explica. Em razão disso, na sua avaliação, a prestação de contas das entidades deve ser centralizada na associação. “Começaremos a fazer toda a contabilidade dos nossos associados respeitando a peculiaridade que é a contabilidade das entidades”, garante.
Canalli explica que, dessa maneira, o poder de trabalho das entidades aumentará também a força de convencimento para conseguir novos parceiros. Outro etapa prevista para acontecer em breve será a venda da folha de pagamento das entidades para um banco público. Juntas, as 56 entidades que fazem parte da Aeaps somam 1.260 funcionários e os bancos já demostraram interesse em comprar a folha unificada pela associação.
“Estamos no início das discussões, mas além de acertar o valor a ser pago para entidade com venda folha de pagamento da entidades, vamos buscar benefícios para esses funcionários, como isenção de taxas, crédito mais em conta e cartões de crédito”, adianta.
O processo de profissionalização da Aeaps não deve parar por aí. Canalli explica que para conseguir mais apoio financeiro dos empresários da cidade pretende estabelecer uma via de mão-dupla com os colaboradores.
“Nós estamos buscando novas parcerias que eu chamo de mão-dupla. Ao vir ajudar um projeto social, o empresário terá como informar à sociedade que ele é uma empresa de responsabilidade social. Vamos criar um selo para identificar esses colaboradores”, antecipa. Esse selo poderá ser utilizado pelas empresas em suas notas fiscais, na fachada das empresas e até nas sacolas utilizadas para carregar compras, em caso de supermercados.
De acordo com o presidente, esse tipo de ação será exigido em breve no Brasil inteiro, como nos países desenvolvidos, onde as empresas são obrigadas a investir na responsabilidade social. “ Eu acredito que até para participar de concorrências públicas as empresas deverão apresentar um certificado de que é uma empresa investe no social”, completa.
O processo de profissionalização deverá culminar na criação das fundação das entidades sociais de Bauru. Com a fundação, a Aeaps poderia buscar parceria com outras fundações para conseguir recursos para seus projetos sociais. “A criação da fundação não irá mudar em nada as características da associação”, garante Canalli.