Regional

Animal atraiu biólogo durante pesquisa sobre pescadores

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - O projeto “Pescando Pescadores” começa oficialmente em abril, voltado para a população ribeirinha da região do Alto Paraná, principalmente interagindo com as pessoas que vivem na região de Três Lagoas (MS), Castilho e Itapura (SP). O coordenador do projeto, o biólogo Domingos Garrone Neto, explica que irá iniciar uma mobilização de alerta sobre a chegada das raias em águas paulistas, pois tanto na região do Baixo Paranapanema como na do Baixo Tietê, existem inúmeros balneários fluviais. “Esse alerta foi feito por um dos meus companheiros de trabalho, o professor Vidal Haddad Jr., médico especialista em acidentes por animais aquáticos, mas ainda não chegou com eficácia nos municípios ribeirinhos”, completa.

Ele acaba de elaborar um folheto que trata de diversos aspectos relacionados às raias do Alto Paraná. O impresso terá tiragem inicial de 10 mil exemplares e será distribuído gratuitamente no projeto. Em breve, o folheto estará disponível no site www.institutohorus.org.br, do Instituto Hórus, para download gratuito.

Neto coordenará uma equipe multiprofissional integrada por médicos, biólogos, oceanógrafos e estudantes de biologia e medicina. “Contando com o apoio da Itaipu Binacional, da The Nature Conservancy (uma das maiores ONGs do mundo), do Instituto Hórus, da Fundibio e da Proex (ambas da Unesp) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul”, acrescenta o biólogo.

As raias e o interesse do biólogo se fundem a partir de meados de 2002, quando ele partiu para a região Norte do País (Pará, Tocantins, Amazonas e Amapá) para estudar as condições de vida, saúde e trabalho de pescadores profissionais e também realizar um estudo paralelo sobre acidentes por raias. “Esses acidentes há muito eram negligenciados pelo Ministério da Saúde. Pouco se conhecia sobre seus aspectos epidemiológicos e também quase nada se sabia sobre as toxinas das raias.”

Posteriormente, Domingos começou seu primeiro estudo sobre raias de água doce partindo para observação subaquáticas. Esse trabalho foi na área de zoologia e visava doutoramento após ter concluído mestrado em saúde coletiva pela Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. O local dos estudos foi a região do Alto Paraná, escolhido porque a água da região durante a estiagem era ideal para mergulho e pela raias estarem colonizando uma área onde não ocorriam originalmente, o que poderia implicar na ocorrência de acidentes com os animais.

“Aí deu para unir as duas coisas, pois tinha uma boa idéia sobre os acidentes por conta dos resultados obtidos no Norte (e também em alguns lugares do Centro-Oeste). Era hora de conhecer melhor as raias, já que esse é um grupo muito pouco conhecido pela ciência, quando comparado a outros grupos de animais aquáticos de água doce”, detalha. Por um período de três anos, Domingos realizou o trabalho de campo e atividades de laboratório.

“Estudei a alimentação e a reprodução das raias, sua distribuição espacial, padrões de movimentação e uso do hábitat. Suas interações com outros animais aquáticos e com os ribeirinhos e turistas, colaborei com estudos sobre as toxinas desses animais”, conta.

Agora, Domingos finaliza a pesquisa de doutorado e organiza um livro que irá tratar das raias da Bacia Paraná-Paraguai, além da coordenação do “Pescando Pescadores”.

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