Harare - Cerca de 5,9 milhões de eleitores foram às urnas no Zimbábue ontem para registrar seus votos no mais importante pleito desde a independência do país, em 1980. Com a votação, muitos esperam dar fim ao colapso econômico sob o regime de Robert Mugabe, que está à frente do governo do país há quase 30 anos.
A população teve apenas um dia para escolher pela primeira vez seu presidente, além de eleger 210 legisladores, 60 senadores e 1.600 conselheiros locais.
Os cerca de 9 mil postos eleitorais foram fechados às 19h (14h de Brasília), após 12 horas.
Em muitas regiões, entre elas Harare, a votação foi intensa durante a manhã, mas à tarde o movimento diminuiu. A votação começou às 7h (2h de Brasília), mas horas antes já havia filas de pessoas esperando a abertura das seções.
No meio do dia, as fileiras de eleitores se movimentavam lentamente, embora não fossem muito longas na capital Harare.
A demora nas seções eleitorais decorreu do fato de que esta é a primeira vez que o Zimbábue realiza eleições presidenciais, legislativas e municipais simultaneamente.
Por isso, cada eleitor demorou, em média, um minuto para depositar seu voto na urna. O Zimbábue sofre com a maior inflação mundial, de mais de 100.000%, além da falta de alimentos e combustíveis e da epidemia de aids, que diminui a expectativa de vida.
Ao registrar seu voto em Harare, Mugabe disse aos repórteres que estava “confiante na vitória”, mas que aceitaria uma derrota. “Por que eu trapacearia? O povo é nosso apoio. Quando a população pára de apoiá-lo, é a hora de deixar a política”, afirmou ele. Mugabe atribui o colapso econômico ao antigo colonialismo britânico e às nações ocidentais.