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Curso inédito em Bauru vai formar peritos para investigar crimes virtuais

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A primeira turma de peritos e investigadores de crimes virtuais no Interior do Estado de São Paulo vai se formar em Bauru. O curso, realizado neste mês pela empresa Blindsys, terá 24 horas de duração. Atualmente, apenas uma empresa da Capital oferece cursos voltados à capacitação desses profissionais. No Brasil, além da empresa paulistana, somente uma outra em Porto Alegra oferece o mesmo curso. A Blindsys, portanto, é a terceira do Brasil e a primeira fora das capitais a organizar um evento dessa natureza.

“Nós temos constatado um crescimento muito grande de crimes eletrônicos. O índice chega próximo dos 300% ao ano. E não existem profissionais da área pública qualificados que atuem na investigação desses crimes”, justifica o advogado José Antonio Milagre, especialista em direito eletrônico. “Pretendemos criar um pólo de tecnologia na área de investigação de crimes digitais em Bauru”, diz ele.

O advogado lembra que, atualmente, todas as perícias relacionadas a fraudes cometidas pela Internet são feitas em São Paulo e demoram anos até que o laudo fique pronto.

O curso visa formar peritos especialistas em investigar delitos de alta tecnologia, que consigam coletar evidências que identifiquem criminosos virtuais e os levem à punição.

“As armas do crime são outras. O bandido que usava faca e revólver agora usa o mouse e os estragos são tremendos”, afirma. Hoje, jovens e adolescentes já nascem em contato com a Internet e todo o mundo paralelo que a cerca e eles percebem que podem ganhar dinheiro fácil com a ajuda de um computador.

Pessoas que jamais cometeriam um crime por medo de serem presas cedem à tentação quando descobrem que a Internet garante o anonimato. “O curso tem justamente o propósito de acabar com esse paradigma de que tudo na Internet é anônimo”, explica Milagre.

“Hoje, nós temos ferramentas que identificam com 96% de êxito a autoria de qualquer crime eletrônico, mesmo que seja praticado em lan houses ou em ambientes de rede desprotegida”, revela.

As ferramentas citadas pelo advogado ajudam a identificar a localização geográfica de qualquer crime e a saber se uma imagem divulgada na Internet foi montada, quem montou, a data que isso ocorreu e até qual a máquina digital que tirou a foto.

O advogado conta que uma investigação mal conduzida pode colocar todo trabalho abaixo. Ele lembra o caso de um perito que invadiu o computador de um acusado de pedofilia para coletar provas do crime. Quando o caso chegou ao Superior Tribunal Federal (STF), o acusado foi absolvido porque as provas contra ele foram coletadas de forma ilícita, desrespeitando as normas da Constituição.

“No curso, os delegados vão aprender a relatar, os investigadores a investigar, os juízes a julgar e os promotores a denunciar esses novos crimes”, diz o advogado. Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelos telefones (14) 3234-1616 e (14) 9117-8161.

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