Política

Candidatos ainda não discutem Bauru

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 5 min

A seis meses das eleições municipais, o quadro político segue na fase de montagem em Bauru. O número de pré-candidatos aumenta a cada dia – hoje, está em nove – e até o momento os partidos e pré-candidatos ainda não disseram a que vieram e, por isso mesmo, não debatem a cidade e seus problemas.

Diante dessa realidade, as propostas de governo acabam se tornando um item secundário (ou inexistente). Para obter um retrato do que pensam os nove pré-candidatos a prefeito de Bauru, o JC falou com todos eles na semana passada. O objetivo da reportagem é deixar o leitor a par do que estão pensando os políticos neste momento, quando já deveriam ter ao menos equipes trabalhando na análise do futuro governo. Como é sabido, em ano eleitoral as promessas costumam surgir em grande quantidade e, em geral, não são realizadas efetivamente, seja por serem irrealizáveis ou por vícios e burocracia da máquina administrativa.

Os próprios pré-candidatos admitem que ainda não se debruçaram sobre o assunto. “As propostas de um plano de governo surgirão durante a campanha eleitoral porque existe um processo de conversações com a população e pessoas de cada área”, diz Carlos Braga (PP).

Caio Coube tem opinião semelhante. “O trabalho está sendo elaborado por uma equipe do PSDB. É preciso dar continuidade ao trabalho de coleta de informações com moradores e pessoas da área técnica”, aponta.

Nessa linha, o grupo tucano trabalha, segundo Caio, com pilares que contemplam o desenvolvimento social, econômico, infra-estrutura, planejamento urbano e viário, desfavelamento e reorganização administrativa. O modelo pode apresentar um quadro real, mas é preciso verificar se as propostas, quando formatadas, terão aplicabilidade prática.

Solicitada a falar sobre suas propostas, a pré-candidata do PDT, Rosa Izzo, acabou sendo “representada” pelo marido, o ex-prefeito Antonio Izzo Filho, no contato com o jornal. Segundo ele, ainda era cedo para comentar sobre propostas porque o partido precisaria primeiro definir o candidato. Além de Rosa, os pedetistas têm como pré-candidato Rubens Spíndola.

Apesar disso, Izzo apontou que a esposa tem um plano geral, contemplando realizações pontuais nas áreas de educação, saúde, esporte, obras e cultura.

Sintonia

O fato de a campanha política começar para valer a partir de 6 de julho não significa que os temas não devem ser discutidos. Afinal, os pretendentes podem ser cobrados a apresentar um posicionamento a qualquer momento. Como em qualquer campanha, os políticos e assessores procuram apresentar programas em sintonia com as reivindicações da população e, assim, conquistar votos.

A manutenção da cidade é tema comum a todos. “Quem assumir a prefeitura terá de melhorar dois serviços: tapa-buraco e capinação e limpeza”, aponta Rodrigo Agostinho (PMDB), que há uma semana deixou o cargo de secretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

O mesmo ponto é abordado por Spíndola, do PDT. “A cidade está abandonada, suja e cheia de buracos. Não podemos fazer obras novas porque não temos recursos, mas a manutenção é prioridade”, afirma.

Outros elegeram a saúde como prioridade. “Nas últimas pesquisas realizadas, uma grande reivindicação da população é com relação à saúde”, comenta José Clemente Rezende (DEM).

Enquanto estava no Legislativo, Alex Gasparini (PMDB) era da base de sustentação do atual governo. Mesmo assim, traça um panorama mais crítico nessa área. “A saúde está à beira do caos. É preciso melhorar o salário dos profissionais da saúde e dos médicos para que possam realizar o trabalho a contento”, comenta ele.

O último dos pré-candidatos lançados na cidade é Clodoaldo Gazzetta (PV). Para ele, a prioridade é resolver o problema da saúde e de outras áreas através de uma mudança de gestão. Na sua opinião, como as secretarias municipais agem de forma isolada, é necessário dispor a administração de um sistema que as integre, reunindo as políticas públicas. A forma como esse projeto se dará na prática ainda não é contemplado por Gazzetta.

____________________

Recursos

Quase todos os políticos ouvidos são unânimes em afirmar que a prefeitura possui atualmente poucos recursos para obras, o que já é sabido.

Agostinho, que deixou a Semma, e Clemente, presidente do Departamento de Água e Esgoto, conviveram – no caso do primeiro – e convivem – no caso do segundo - com essa situação no dia-a-dia. “O orçamento hoje está no limite e os recursos estão sendo alocados para manutenção”, cita Clemente. “É preciso trabalhar com o orçamento que tem. Hoje a receita não suporta fazer investimentos para atender a todas as necessidades da população”.

O peemedebista segue na mesma linha de raciocínio. “Temos de reconhecer as dificuldades financeiras por que passa a prefeitura”, cita Agostinho. “Neste ano, aproximadamente R$ 50 milhões do orçamento serão usados para o pagamento de dívidas. Não dá para sair prometendo obras grandes”.

Antonio Carlos Garmes (PTB) concorda e apresenta uma sugestão. “Sei que a cidade tem uma pequena capacidade de investimento, entre o que arrecada e o que está comprometido”, aponta. “Entendo que temos de criar canais em nível estadual e federal para buscarmos verbas a fundo perdido”. A saída “oferecida” pelo vereador petebista é defendida por todos os pré-candidatos. A dificuldade está em como solicitar a verba e garantir sua liberação. Vale lembrar que somente em fevereiro Bauru saiu da lista de devedores da União, em decisão do Tribunal Regional Federal (TRF). A presença no Cadastro Único de Exigências para Transferências Voluntárias (CAUC) impede a que a prefeitura seja habilitada a receber verbas federais a título de convênios, fundo perdido ou emendas orçamentárias. Para Izzo, o município tem para investimento anualmente de 7% a 10% do orçamento, de R$ 25 a R$ 30 milhões. Já na opinião de Coube, o montante é menor: não passa de R$ 20 milhões. “A capacidade de investimento é pequena. Para resolver isso é preciso acessar recursos dos governos estadual e federal”, comenta.

Pelo que se observa dos pré-candidatos, as propostas ainda precisam ser muito bem estruturadas. Uma realidade, porém, é comum a quase todos: a escassez de recursos financeiros pode ser insuficiente para provocar uma mudança profunda nos rumos da cidade. Diante desse quadro, o eleitor deve ficar atento ao que os candidatos apresentarão de propostas.

Comentários

Comentários