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Não vivemos nas florestas


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De acordo com Santo Tomás de Aquino, filósofo medieval, “não é somente o corpo, ou seja, a faculdade sensitiva que leva a esta verdade, que a natureza exige que se construam cidades. Também a parte racional da alma ... atesta a necessidade de criar cidades”. Não podemos imaginar o ser humano vivendo no meio ambiente natural. Aliás, se isto tivesse acontecido, conhecendo a natureza da pessoa humana, com certeza já teriam destruído os demais seres vivos e, assim, acabado com sua própria subsistência.

O fato de reconhecer a necessidade de se construir cidades, não implica na sobrepujança dos elementos artificiais sobre os naturais, quando se tem em mente as condições necessárias para a manutenção da vida. Nas cidades, continuamos precisando de água pura, ar limpo e alimentos saudáveis. E, procurando, com o progresso, garantir qualidade, muitas vezes esquecemos que quem permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas são as condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, ou seja, o meio ambiente (conforme definição da Lei nº 6.938/81).

Evidentemente, a construção e a vida das cidades não implicam na degradação do meio ambiente. Esta depende do comportamento da pessoa humana.

Hoje, tem-se falado muito sobre meio ambiente, principalmente pela “descoberta” do problema causado pelo aquecimento global. Entretanto, o foco ainda está nos empreendimentos. Embora este tenha que ser mantido, é preciso levar o enfoque também para o indivíduo. Precisamos pensar no fazer e deixar de fazer de cada pessoa. É, como na estória da ave que pretendia apagar o incêndio, levando água no biquinho, lembram-se? Uma ave só não apagaria o incêndio, mas a união faz a diferença! Isto é válido no inverso, também. Uma ação de pequeno impacto negativo isolada causa um desequilíbrio quase que imperceptível; um conjunto destas pequenas ações, porém ... Acho que todos podem completar a frase! Mais do que isto: as empresas, entidades de classe, universidades, enfim, qualquer tipo de associação pode organizar pequenas campanhas incentivando as pessoas que as compõem a atitudes ambientalmente corretas.

Vivemos nas cidades, mas vamos procurar qualidade de vida, mantendo de forma saudável os recursos naturais.

A autora, Maria Helena Beltrame, é advogada, coordenadora da Comissão de Meio Ambiente e presidente do Instituto Ambiental Vidágua

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