O ciclo vital humano é uma personificação da gramática de pontuação. Quando crianças, somos exclamações, pois começamos a descobrir as rugosidades no globo. Na fase adulta, o liqüidificador de preocupações faz com que nos identifiquemos com inúmeras vírgulas, buscando enumerar nossas tarefas. Sendo que os jovens são caracterizados pela transição desses dois períodos, sustentando permanentemente dúvidas, “grilos” e gírias - simbolizando as interrogações.
Desde os tempos dos Alquimistas, há o anseio pela utópica descoberta da fonte da juventude eterna. Hoje, pela competividade exacerbada, os adolescentes transformam-se rapidamente em vírgulas juniores. A maturidade conseqüente do tempo é atropelada por um porvir ausente de perspectivas. A essência para matar a fome desses subseqüentes adultos é a interpretação. Gramaticalmente e socialmente, é a “chave-mestra” para a compreensão de uma metáfora. O estímulo e a esperança são os melhores remédios que possamos oferecer-lhes.
O paradigma de um jovem é ser impaciente, agitado, desregrado, revoltado, lunático e ignominioso das “caretices” de seus pais. A mídia influencia-o constantemente ao transmitir uma cultura verborrágica, cuja aparência é primada, anulando o conteúdo informativo.
A nossa formação educacional está longínqua de tornar vírgulas, interrogações e exclamações em um conjunto audível aos olhos contextuais. Os futuros médicos, advogados e engenheiros estão condenados a uma sorte, que talvez lhes garantam ética. Esta lhes conceberá o prazer de conquista se, e somente se, houver primaveris oportunidades, dando-lhes a satisfação de encerrar um texto com um fluorescente ponto final.
Bruna Silvestre Innocenti Giorgi