Bairros

Vocação para o bem

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 7 min

Todo voluntário tem muita história para contar. A maioria relata com prazer a sensação que sente em ajudar as pessoas. E não falta espaço para essa atuação: saúde, esporte, educação, lazer e diversas outras áreas. Em todo lugar tem sempre uma pessoa precisando de carinho, atenção e de um instrução para começar um vida nova. As histórias contadas pelos voluntários, em geral, têm sempre um final feliz, pelo menos, para quem pratica o voluntariado.

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A arte do teatro na escola

Um palco improvisado em uma sala de aula é o bastante para que as amigas Graziele Couruzzi e Luciana Gonçalves possam ensinar a arte do teatro para cerca de 30 crianças que residem da no núcleo Octávio Rasi, zona leste de Bauru. Formadas em artes cênicas, as duas resolveram passar noções básicas de teatro para crianças carentes que participam do Projeto Escola da Família na Escola Estadual Professor Walter Barretto Melchert.

Como durante a semana as amigas dão aulas particulares e trabalham na Companhia de Teatro Mandrágora, o projeto acontece então aos domingos no período da manhã. “É um projeto nosso levar o teatro para quem nunca pode entrar em um. A gente não pensa em só transmitir noções básicas de teatro para as crianças, mas também uma espécie de psicologia infantil que atue na auto-socialização e no trabalho em equipe”, explica Couruzzi.

O projeto teve início há cerca de dois meses e Couruzzi já comemora os resultados obtidos. “A participação das crianças têm sido muito grande. Elas ouvem com atenção as explicações e aprendem rápido os objetivos propostos”, conta. “Todos são muitos talentosos, desenvoltos e obedientes”, completa.

Couruzzi conta que já existem crianças na fila de espera para participar de novas turmas que ela e a amiga pretendem abrir em breve. Ela também deseja levar as crianças para conhecer um teatro de verdade e planeja levá-los para conferir uma peça de perto. “Eles são muito puros e acreditam que no teatro irão aparecer na TV. Costumo dizer que são folhas brancas que a gente começa a escrever uma história”, analisa.

Tanto Couruzzi quanto Gonçalves já fizeram projetos parecidos no passado e jovens que participaram do projeto hoje são profissionais e trabalham juntos na companhia. “Só quem participa de um projeto assim, voluntário, sem esperar nada em troca, consegue receber tanto”, completa.

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Dentro da própria igreja

Por trás da intenção de transmitir a prática esportiva do karatê, existe um outro objetivo tão nobre quanto o primeiro: ensinar para todos os participantes noções básicas para a manutenção da saúde e higiene, além de disciplina, que servirá para a vida toda. Este trabalho é feito de maneira voluntária pelo professor de educação física e karatê Lauro José Cavalieri, que freqüenta a Igreja Batista Sul, onde são realizadas as aulas.

O projeto filantrópico atende tanto a crianças da comunidade quanto as que moram próximo ao local, mas não freqüentam a igreja. “No ano passado chegamos a atender 20 crianças, entre filhos dos freqüentadores da igreja e crianças que estudam na Escola Estadual Luiz Braga”, conta Cavalieri.

Neste ano, o segundo do projeto, Cavalieri pretende novamente abrir espaço para as crianças que residem nos bairros próximos da igreja. “Temos crianças carentes que moram aqui perto da igreja, no Jardim América, Europa e inclusive na favela”, lembra. A proposta é oferecer a todos que se interessarem em evangelização cristã.

Como para a prática do karatê não é preciso materiais esportivos ou roupas especiais, Cavalieri utiliza o espaço do salão da igreja para ensinar o esporte aos alunos. “Aqui ninguém paga nada. Estamos tentando algumas parcerias para conseguir adquirir quimonos, que é o único acessório de quem prática o esporte. Mas mesmo sem a vestimenta as crianças participam das aulas com a roupa do corpo”, conta o professor.

De acordo com Cavalieri, não existe brincadeira no treinamento, até mesmo o pastor da igreja participa das aulas. “Estamos aceitando crianças com idade superior a 6 anos. A participação no ano passado foi excelente, tanto de jovens quanto de adultos”, lembra. O projeto é transmitir a técnica do karatê para todos até adquirirem a faixa preta.

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Paixão por ensinar o futebol

Durante o dia José Eduardo Favarelli passa todo o expediente analisando e julgando processos na Secretaria da Fazenda do Estado. À noite, Favarelli se torna o professor de futebol de salão de aproximadamente 90 crianças e adolescentes em um projeto desenvolvido por ele em parceria com as Faculdades Integradas de Bauru (FIB), que cede a quadra esportiva e o departamento de fisioterapia da faculdade para a atividade.

Favarelli conta que, além de advogado, é formado em educação física e nunca escondeu a paixão pelo futebol de salão de ninguém. “Em outra cidade fui técnico de clubes profissionais, fundei liga e ganhei vários títulos”, lembra. Hoje em Bauru, Favarelli aproveita toda a experiência adquirida para ensinar a arte do futebol para crianças de maneira voluntária.

O projeto reúne crianças de todas as condições sociais e a proposta é formar equipes de alto rendimento. “Eu apenas me preocupo com a qualidade social dos meninos. Para conhecê-los melhor, eu sei que tem o que comer em casa, quem estuda ou enfrenta problemas familiares”, conta. “Você precisa ter o conhecimento de cada aluno, para saber o que você tem na mão”, completa.

Favarelli revela a sua paixão em trabalhar com crianças. O projeto reúne meninos de 8 até 17 anos que participam de diversos campeonatos pelo Estado. “Temos o apoio de várias empresas, que bancam a compra de material esportivo, transporte e a participação em diversos campeonatos”, explica Favarelli.

Ele conta do prazer em fazer esse tipo de trabalho, onde a recompensa vem na vibração de cada garoto ao participar de um lance de jogo ou fazer um gol. “Isso tudo me faz bem, até mesmo o médico me recomendou nunca deixar essa atividade, que me garante qualidade de vida”, encerra.

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Aulas de violino

Que a música tem o poder de modificar a vida das pessoas todos já sabem. Ainda mais se ela se tornar uma opção de vida. Esta é a idéia do músico Eric Breslau, que ensina crianças carentes moradoras do Jardim Ferraz e Vila Independência a tocarem violino. O projeto estava na cabeça do músico já há algum tempo, mas ganhou força na parceria com as Faculdades Integradas de Bauru (FIB), que cedeu ao professor um sala para que ele pudesse dar suas aulas.

Músico e professor de música há muitos anos, Breslau conta que nunca teve a oportunidade de desenvolver um projeto assim. “No ano passado, apresentei a idéia para alguns amigos empresários, que resolveram adotar um aluno e patrocinar a compra do instrumento e material didático. Infelizmente, os patrocinadores foram poucos e conseguimos bancar apenas metade da turma; o restante dos instrumentos eu comprei com dinheiro do meu bolso”, conta.

Em 2007, 12 crianças participaram do projeto. Para este ano, Breslau luta para manter a turma que começou no projeto o ano passado. “Queria muito abrir mais turmas, tem gente na fila de espera, mas sem apoio eu não tenho condições de bancar tudo sozinho”, lamenta.

Cada violino custa cerca de R$ 350,00 e é preciso adquirir também o material didático. Breslau acredita que o preço para adotar um aluno do projeto fique em torno de R$ 80,00. “Não é tão caro, mas não posso bancar sozinho”, diz. A primeira turma foi selecionada pelo pároco da Igreja São João Batista.

Breslau conta do interesse do aluno em aprender a tocar o violino. “Eles têm talento e se esforçando nas aulas podem seguir carreira no futuro ou mesmo tocar em festas, casamentos, formaturas e fazer da música uma fonte de renda”, prevê.

Beatriz Máira Geraldo de Oliveira, 9 anos, aluna do projeto, conta que não vê a hora das aulas começarem. “Sempre gostei de ver na TV e agora posso aprender. Me esforço muito para aprender cada vez mais”, conta a menina. Além de Beatriz, Breslau tem ainda mais dez alunos.

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