Bairros

Ceac oferece até curso para voluntários

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje é praticamente impossível imaginar que uma entidade posso funcionar de maneira adequada sem a participação de voluntários. Pensando nisso, a diretoria do Centro Espirita Amor e Caridade (Ceac) realiza periodicamente cursos para pessoas que desejam trabalhar de forma voluntária na entidade, mas não sabem o que podem fazer e onde trabalhar.

José Silvio Turini, responsável pela realização dos cursos para voluntários, explica que as pessoas recebem noções sobre voluntariado, como é o trabalho, as motivações e atitudes de um voluntários e as vantagens de ajudar alguém, seja como for. “No ano passado, nós criamos um departamento para cuidar apenas do trabalho voluntário na entidade. As inscrições, encaminhamento e documentação são todos centralizados nesse local”, conta Turini.

O Ceac é uma entidade que trabalha de acordo com o que diz a Lei do Voluntariado. “Todos assinam o Termo de Conduta exigido pela lei para que não haja nenhum vinculo empregatício entre a entidade e o voluntário”, explica Turini. O curso para os voluntários tem a duração de apenas duas horas, mas cada participante sai conhecendo o Ceac, sua história e os 34 locais onde ele pode ser voluntário.

Turini conta também que até mesmo os voluntários mais antigos passam por um curso semelhante que serve como aprimoramento. “Temos pessoas que trabalham em creches, hospitais, escolas, centros comunitários. No total são 34 pontos disponíveis, onde a pessoa escolhe o melhor lugar para trabalhar”, avisa.

Turini observa que para desenvolver um trabalho voluntário é necessário ter amor ao próximo e saber que no universo voluntário nada é remunerado. “Nenhum pessoa consegue ser voluntária sem ter disciplina, responsabilidade, disponibilidade, noções de organização e, principalmente, humildade”, avalia.

Para o Ceac, seria importante que a cidade tivesse uma central de voluntários, a exemplo do que acontece em outras cidades. “Nosso trabalho foi facilitado em muito depois da criação do nosso cadastro de voluntários”, conta Turini. Na visão dele, muitas pessoas gostariam de ser voluntários, mas não conseguem as informações necessárias para trabalharem nas entidades ou prestarem serviços esporádicos.

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Atividade importante

“Sem voluntários, não existiria as entidades beneficentes.” Esta é conclusão de José Carlos Augusto Fernandes, vice-presidente da Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social (Aeaps) de Bauru. Para ele, o trabalho de pessoas abnegadas nas entidades é de vital importância. “Eles são agentes de transformação, movidas por um impulso de solidariedade”, define.

Fernandes acredita que Bauru é uma cidade privilegiada quando se trata de ação social. “Não dá para precisar, mas estima-se que o número de pessoas que desenvolvem algum tipo de atividade voluntária em Bauru ultrapasse facilmente 5 mil”, estima. Voluntário na Aeaps, Fernandes diz que é extremamente gratificante o trabalho voluntário.

Egli Muniz, secretária municipal de Bem-Estar Social, informa que a secretaria já tentou montar um cadastro geral das pessoas que prestam algum tipo de trabalho voluntário na cidade, mas encontrou resistência. “O problema é que muita gente não gosta nem de aparecer e por isso prefere continuar seu trabalho no anonimato”, explica.

Para a secretária, a importância dos voluntários no trabalho social na cidade está mais do que comprovada. “Apesar da criação de um modelo novo de assistência social na cidade, os voluntários ainda são essenciais para o atendimento a quem mais necessita”, admite.

Fernandes diz que só um voluntário pode narrar o crescimento interno e intelectual que adquire ao desenvolver a atividade “Muitas pessoas procuram o serviço voluntário para ajudar a si mesmas, ajudando os outros em grupo ou de maneira individual, a pessoa se sente valorizado e um privilegiado”, afirma.

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Pelo telefone

Existem muitas formas de fazer algum tipo de trabalho voluntário, com o realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). Criado há quase 50 anos, em São Paulo, o CVV tem hoje 57 centros de atendimento espalhado pelo Brasil, incluindo Bauru.

O projeto foi criado como objetivo da prevenção ao suicídio, através do apoio emocional oferecido pelos voluntários às pessoas angustiadas, solitárias ou mesmo sem vontade de viver.

Hoje o centro atende pessoas com todo tipo de problema emocional. Antônio Alves da Silva, que trabalha como voluntário no CVV há cinco anos, conta que diariamente os voluntários em Bauru recebem dezenas de ligação de pessoas que precisam falar com alguém, desabafar, chorar ou mesmo ficar em silêncio no telefone por longos minutos.

“Cada pessoa para ser voluntária no CVV tem que participar de um curso com duração de dez semanas, por meio do que aprende a lidar com diversas situações. Hoje estamos preparando cinco voluntários, mas nosso grupo está bastante reduzido. Por isso estamos disponibilizando o atendimento apenas no período da noite”, conta Silva.

Durante a ligação para o CVV, os voluntários também procuram aliviar o sofrimento, a angústia, o desespero e a depressão, ouvindo e oferecendo apoio àqueles que sentem não haver ninguém disponível para aceitá-los ou compreendê-los.

Há 25 anos atendendo em Bauru, Silva conta que seriam necessários 42 voluntários para oferecer atendimento 24 horas. “Hoje sou eu e mais nove voluntários que atendem toda a demanda” conta.

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