Igaraçu do Tietê - O gosto pela aventura levou dois amigos a passarem um mês viajando em motocicletas por várias regiões do Brasil e países como Venezuela, Colômbia e Guiana. Iniciada no dia 1 de março, a aventura terminou no domingo, dia 30.
O vendedor de loja, Diego Giacomeli, 24 anos, e o balconista de autopeças Gustavo Biazotto, 22 anos, gastaram cerca de R$ 3 mil cada um durante um mês em que rodaram pelo Brasil e América do Sul. Os ingredientes da aventura foram dois amigos, duas motos e muita estrada para rodar em busca de algo inesperado. Giacomeli utilizou uma Honda CG150 Titan 2004 e seu amigo uma Honda CG125 Titan 1997.
Durante a viagem, eles passaram pela Região Norte do Brasil incluindo os Estados de Mato Grosso, Roraima, Pará e Rondônia. “A diferença social é muito grande. Até mesmo dentro do Brasil. Nós pegamos seis dias de barco para cortar a floresta amazônica. É muita pobreza, coisa que aqui no Sudeste não imaginamos que exista”, relata Giacomeli.
Conflito armado
Um dos momentos mais tensos da viagem ocorreu nas fronteiras com a Colômbia e a Venezuela. “Até pela época que nós fomos, para passar na fronteira da Venezuela com a Colômbia era tenso porque estava em clima de guerra. Tinha exércitos nos dois lados”, relata o vendedor, lembrando do incidente diplomático envolvendo os governos da Colômbia, Equador e Venezuela.
O conflito ganhou proporções além das diferenças regionais e repercutiu na América Latina como um todo, pelo risco de confronto armado, inclusive com forças armadas sendo deslocadas para as regiões de fronteira das nações envolvidas. A crise se deu após a Colômbia invadir o território equatoriano, infringindo uma regra internacional, para caçar membros das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farcs).
“Tinha muita gente armada, exército nos dois lados. Para o nosso lado, não teve problema. O único inconveniente é ter que parar um monte de vezes nas fronteiras, para revista”, completa.
O maior ganho dos amigos com a aventura foi a experiência cultural, frisa Giacomeli. As diferenças entre os povos levou a dupla a enfrentar uma situação inusitada na Guiana. “Na Guiana, nós paramos em uma cidade e o policial parou a gente e queria placa na frente das nossas motos. Explicamos para ele que motos no Brasil não tinham placas na frente. Conversamos e ele acabou liberando a gente”, conta, sem detalhar o “milagre” que evitou maiores problemas.
Apesar dos incidentes, os aventureiros avaliam de forma positiva a viagem e garantem que foram bem recebidos por onde passaram. “Por causa das motos que nós usamos - eram motos pequenas -, o pessoal admirava a nossa coragem e acabavam simpatizando com a gente”, lembra Giacomeli. Durante o percurso, eles dormiram em pequenos hotéis ou pousadas ou até mesmo em barracas. “Nós não tínhamos luxo para nada. O dinheiro foi gasto em hotelzinho, pousada, combustível. Na Venezuela, a gasolina é muito barata”, conta.
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Arame, sorte e o Alaska
Ao término da viagem, as motocicletas utilizadas por Diego Giacomeli e Gustavo Biazotto já estavam pedindo “arrego”. “As motos agüentaram chegar até o fina,l mas caiu o escapamento da moto do meu amigo e ele precisou ser amarrado com arrame. Minha moto está vazando óleo para todo lado”, explica Giacomeli.
O gosto pela aventura não deve terminar com esta viagem. Giacomeli tem planos de, no futuro, viajar para o Alaska. “Mas aí seria um tempo de quatro ou cinco meses de viagem. Eu tenho ainda na minha cabeça essa viagem, mas teria que ser com patrocínio”, projeta.