O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru registrou diminuição do número de inclusões e aumento das exclusões na lista de inadimplentes do órgão no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com os dados, a quantidade de pessoas que “limparam” o nome nos três primeiros meses deste ano e saíram da lista foi de 9.646. O montante é 10,26% superior aos 8.748 consumidores excluídos da lista de janeiro a março de 2007.
Outra boa notícia para os comerciantes diz respeito ao número de inclusões, ou seja, quem não conseguiu arcar com as despesas e teve o nome incluído no cadastro do SPC. No ano passado, 9.927 pessoas se encontravam nesta situação, enquanto que neste ano, 9.316 nomes entraram na lista: queda de 6,15%. O número de consultas feitas por lojistas ao SPC aumentou 3,6% no trimestre. Foram 336.318 mil em 2007 contra 348.496 neste ano. Esses números mostram maior movimentação no comércio da cidade.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Evandro do Amaral Motta, os números refletem a atual estabilidade da economia brasileira, com destaque para os setores industrial, comercial, prestadores de serviço e agricultura. Com mais pessoas no mercado de trabalho, ele acredita que o número de devedores tende a cair.
“O consumidor quer pagar suas contas, somente não o faz quando acontece, por exemplo, perda do serviço”, avalia. Motta aponta ainda o fato dos comerciantes ampliarem os prazos de venda, o que reflete diretamente no valor das parcelas.
Em caso de possível inadimplência, o presidente da CDL afirma que os lojistas negociam a dívida com os clientes. Para ambos, essa é uma das melhores alternativas. De um lado, a empresa não corre o risco de calote, e do outro, o consumidor pode evitar de ter o “nome sujo” na praça. “Se não der para cumprir a obrigação do pagamento naquele dia, as lojas, assim como bancos e financeiras, têm apresentado melhores negociações”, observa Motta.
Nome limpo
A própria CDL, através de uma parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF), oferece crédito que possibilita ao devedor limpar o nome na praça - através de empréstimos, o cliente pode quitar a dívida. Sobre o aumento do número de consultas feitas ao SPC no primeiro trimestre deste ano, Motta afirma que o lojista está mais preocupado com o risco de calote em comparação a anos anteriores. Curiosamente, os devedores não possuem débitos astronômicos. “Grande parte das pessoas tem dívidas baixas, porém, em vários lugares”, revela.
Gerente de uma loja de roupas localizada no Centro, André Ribeiro conta que o número de inadimplentes diminuiu em razão do aumento das vendas através de cartão de crédito. Em caso de inadimplência, ele afirma que esgota todas as possibilidades de recebimento, para só depois “negativar” o cliente.
“Entro em contato e diminuo os juros. Ter paciência nessas horas também ajuda”, diz. Filiado ao SPC e à Serasa, ele consulta os órgãos de proteção ao crédito antes de qualquer venda cujo pagamento será em cheque ou através de crediário.
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Aumento do crédito
Para o economista Mauro Gallo, o aumento no número de consultas feitas por lojistas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) é o reflexo da maior busca pelas compras a crédito, além das vendas à vista. Em relação ao número de exclusões da lista de inadimplentes, que aumentou no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, Gallo aponta o crescimento da economia brasileira.
“As empresas também estão predispostas a negociar”, explica. “Há o interesse mútuo entre lojas e clientes”. Sobre os dados referentes à inclusão de nomes no SPC, cuja queda representou 3,6%, ele afirma que os clientes estão conseguindo arcar com prestações também em virtude da economia. “A capacidade de pagamento aumentou”, conclui.