Livre de pichações e depredações, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Nacilda de Campos, no Jardim TV, encontrou na valorização humana um meio de evitar eventuais ataques ao prédio que acolhe mais de 400 alunos. Ao colocar as pessoas em primeiro plano, também conseguiu minimizar episódios de agressividade entre alunos, muitas vezes oriundos de famílias carentes.
Eles próprios elaboram em sala de aula as normas de convivência, que devem ser seguidas. Elas balizam os momentos de crise, em última instância resolvidos com a presença dos pais. Com o esforço, a escola está eliminando a prática do aluno que bate e do outro que revida. No caso de uma briga, um adulto deve ser sempre acionado porque, ao se vingar, o aluno perde o direito. A informação é transmitida a cada criança por todos os funcionários da Emef.
“São mecanismos gotejados diariamente”, explica a diretora Valéria Ferreira De Luca. A proposta de valorização do ser partiu dela, que assumiu o cargo em 2006. Inaugurada em 2002, a Nacilda de Campos conta até com o blog, onde todos os projetos podem ser conferidos (nacildadecampos. blogspot.com). Por intermédio da sala de informática, por exemplo, os alunos da 6ª série elaboraram um informativo sobre piolho para distribuir aos pais.
“Fizeram uma pesquisa na Internet, montaram e imprimiram”, explica a professora de ciências, Ana Maria Baravieira. Também diretora cultural, social e esportiva, ela conta que na escola o sinal indicativo do término das aulas foi abolido. “Quando tem responsabilidade, não precisa existir. Não toca sinal para pegar ônibus, para ir à escola”, acrescenta a assistente de direção Kelli Cristina do Prado Correia.
De acordo com ela, são as próprias crianças que controlam os horários dos professores.
Amarelinhos
O recreio, além de contemplar salas diferentes conforme a série, ainda conta com atividades promovidas pelos “amarelinhos”. São alunos de 5ª a 8ª série que atuam como voluntários junto aos estudantes mais novos, de 1ª a 4ª, informa a coordenadora pedagógica, Ana Beatriz Cardoso Domingues.
“Colocam música, batem corda, brincam de elástico. Um amarelinho fiscaliza o outro. São 12 no total”, informa. Trajando camisetas amarelas doadas pela prefeitura num desfile de 7 de Setembro, eles colaboram em horário inverso ao da aula.
“Eu sempre quis ser uma amarelinha. Faço trenzinho, jogo da velha, paredão. Ajudamos duas vezes por semana”, informa Débora Neves Rossi, 12 anos, aluna da 6ª série. Entre seus feitos, conseguiu reverter um desentendimento e transformar os alunos desafetos em amigos. A boa relação também marca o vínculo entre pais, professores e direção. A opinião de todos é levada em conta.
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Estrutura
A Emef Nacilda de Campos também dispõe de recursos didáticos de qualidade. Além da sala de informática, conta com a sala de artes, disciplina que conquistou, inclusive, premiação nacional. Num projeto de Frans Krajcberg, relacionado ao meio ambiente, obteve o quinto lugar, informa a professora Maria Cristina Mariano Bricks.
O verde também foi lembrado pelo professor de matemática, que já iniciou os preparativos para uma horta. Os alunos ainda contam com três salas ambiente. Uma para projetos de alfabetização, outro para jogos lógicos e uma terceira para a disciplina de ciências. A curiosidade é que os brinquedos disponíveis no espaço foram obtidos pelos próprios alunos, durante gincana.