O ator norte-americano Charlton Heston morreu ontem, aos 84 anos, em sua residência de Beverly Hills, em Los Angeles, segundo informações de sua família. Desde 2002, ele sofria de mal de Alzheimer. Nascido em Evanston (Illinois) em 4 de outubro de 1924 e batizado como John Charlton Carter, Heston era ligado ao teatro desde a infância. Sua paixão pela interpretação o levou a se inscrever em cursos de teatro na universidade, onde conheceu sua esposa, Lydia Marie Clarke, com quem teve dois filhos.
Com ela, interpretou várias peças de teatro, e protagonizou em 1948 a obra de Shakespeare "Antonio e Cleópatra", que foi um grande sucesso por dois anos. Em 1949, Heston foi contratado para interpretar o papel de Marco Antonio no filme "Julius Caesar", dirigido por David Bradley, papel que lhe abriu o caminho para a fama. Em mais de 60 anos de carreira, Heston participou de quase uma centena de filmes.
Com seu porte atlético, seus traços marcantes e seu timbre de voz, o ator se encaixou perfeitamente no tipo de estrela que Hollywood buscava para suas grandes produções da década de 1950. Ele ficará marcado por seus personagens históricos e bíblicos que interpretou no cinema, como em "Os Dez Mandamentos" (1956), no qual atuou no papel de Moisés, e "Ben Hur" (1959), pelo qual recebeu o Oscar de melhor ator. Também participou de grandes produções como "55 dias em Peking" (1963), "Terremoto" (1974) e "O Planeta dos Macacos" (1968) -história que reviveu quando interpretou um pequeno papel na nova versão de Tim Burton, de 2001. Heston será também como um grande ativista político.
Durante as décadas de 1960 e 1970, ele era partidário do democratas e chegou a fazer campanhas para candidatos à presidência como Adlai Stevenson e John Kennedy. Lutou também pelos direitos civis aos negros, tendo inclusive acompanhado Martin Luther King durante a Marcha pelos direitos civis a Washington, em 1963.
No entanto, Heston tornou-se republicano extremamente conservador a partir da década de 1980. Ele também foi um dos maiores defensores do direito de se usar armas no Estados Unidos. Em 1998, o ator foi nomeado presidente da National Rifle Association, principal organização norte-americana em favor das armas. Heston apareceu no documentário "Tiros em Columbine" (2002) sendo entrevistado pelo cineasta Michael Moore.