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Mudanças climáticas potencializam epidemia de dengue no Brasil

Folhapress
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São Paulo - Os perigos das mudanças climáticas para a saúde humana foram destacados ontem, no Dia Mundial da Saúde, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a epidemia de dengue é apontada como um dos possíveis efeitos do aquecimento global.

Sanitarista e especialista em Saúde Pública da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), escritório regional da OMS, Mara Lúcia Carneiro Oliveira, afirma que o aumento da temperatura e da umidade, aliado ao desmatamento, favorece a proliferação do mosquito da dengue em áreas urbanas. “O que precisa é mais integração: ampliar a vigilância sobre a qualidade da água, dar mais importância ao controle dos vetores, ter uma resposta mais rápida em situações de emergência, capacitar pessoal para reconhecer os fatores do meio ambiente que interferem na saúde e desenvolver essas ações intersetoriais”, diz a sanitarista.

Nesta semana, em Brasília, a Opas reunirá representantes de países da América do Sul e da América Central para o desenvolvimento de um plano de ação do setor saúde, tendo em foco o aquecimento global. O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, reconhece que a dengue pode ser considerada um exemplo de como as mudanças climáticas colocam em risco a saúde pública.

“É sabido hoje, por exemplo, que a dengue, com o aumento da temperatura, regiões no sul dos Estados Unidos e Europa, estão se tornando zonas endêmicas porque o aumento da temperatura faz com que o mosquito possa proliferar naqueles ambientes”, afirma Guimarães.

No entanto, para ele, casos como o da tuberculose, que não guardariam nenhuma relação com as alterações do clima, mostram que não há uma única causa para que as doenças tropicais ou negligenciadas estejam no patamar preocupante que ocupam. “O aquecimento global é um problema extremamente importante, mas não pode ser responsabilizado por tudo de mal que ocorre na face da Terra.’’

Mortes no Rio

Subiu para 68 o número de mortos por dengue no Estado do Rio de Janeior neste ano, segundo balanço divulgado na noite de ontem pela Secretaria Estadual de Saúde. Do total, 48 mortes foram confirmadas na cidade do Rio. A 68.º morto por causa da doença é o menino Nivaldo Ian Pinheiro, 6 anos. Morador de Bangu (zona oeste), Nivaldo morreu na sexta-feira (4) em um hospital particular de Niterói (região metropolitana).

A Secretaria Estadual de Saúde ainda não confirmou o diagnóstico de Danilo Romano de Souza, 14 anos, que morreu no anteontem no hospital Pedro II, em Santa Cruz (zona oeste). Há suspeita de que a causa da morte tenha sido a dengue.

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Rio anuncia novas ações

São Paulo - O governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou ontem um pacote de novas ações para o combate à epidemia de dengue no Estado. Em reunião com seus secretários durante a manhã, ele apresentou plano que envolve inauguração de mais tendas de hidratação, contratação de médicos, novos projetos de lei para controlar focos da dengue e a mobilização da polícia no combate ao foco de mosquitos Aedes aegypti.

Quatro tendas de hidratação - espaços montados pelo governo do Estado próximo a hospitais do Rio para auxiliar o atendimento a pacientes com dengue - serão inauguradas hoje, a primeira delas na zona sul do Rio - a menos atingida pela epidemia até agora. Os novos espaços funcionarão na Gávea (zona sul), no Méier (zona norte), em Realengo (zona oeste) e Campo Grande (zona oeste). Outras seis já estão funcionando.

De acordo com a assessoria de imprensa do governador, Cabral disse ao seu secretariado que vai mobilizar as polícias Civil e Militar no combate à dengue, além de agentes do Detran-RJ e da Companhia Estadual de Águas e Esgoto, responsável pelo saneamento do Estado (Cedae).

Do plano também fazem parte duas mensagens enviadas à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Uma determina que fabricantes de caixas d’água vendam tampas separadamente, para evitar que as pessoas possam trocá-la com regularidade e evitem deixar a caixa d’água aberta - um dos criadouros preferidos do mosquito da dengue.

Outra obriga os donos de carros roubados recuperados a retirar os veículos de depósitos estaduais em 90 dias, para evitar criadouros em pneus e outras partes de automóveis que acumulem água. Se não for retirado no prazo estipulado na mensagem executiva, o veículo irá a leilão. Não foi estabelecido prazo para as mensagens serem enviadas à Alerj e nem para que policiais e agentes de outros órgãos do Estado comecem a trabalhar.

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