Fato noticiado pela mídia, é inacreditável que se tenha feito uma maldade dessas a um garoto de 9 anos, queimá-lo com ferro de marcar bois, em uma fazenda perto de Goiânia - JC, 3/4/08. Dor e febre, além do trauma, apresentados pelo menino, levaram à descoberta do crime. Os culpados não podem ficar impunes, dois peões de gado cruéis, ignorantes e imbecis. (Aliás, o que não nos falta são os canalhas, como diria Nelson Rodrigues, que estão por aí matando crianças e roubando dinheiro público.) Mas, foi preciso que o atingido tivesse sido um ser humano para que o assunto viesse à tona.
Diariamente, milhares de bovinos e eqüinos são marcados a ferro em brasa, uma ignóbil e atrasada prática, que causa dores terríveis. Precisamos nos lembrar que bichos são sensíveis à dor como nós. Conheço filmagens que mostram a reação do gado quando marcados a ferro, é horrível, alguns chegam até a vomitar. E essa é apenas uma das maldades dispensadas aos animais nessas fazendas e Brasil afora - chicotes, esporas, castração sem anestesia, confinamento ou sol e chuva, rodeio, provas de laço, etc., etc., e a morte, para o consumo da carne e derivados. O uso de animais pelo homem nunca vai terminar, sejamos realistas, mas podemos impedir a crueldade e o abuso de poder.
Pior que peões estúpidos, na lida com o gado, são os fazendeiros mandantes. Lucro e custos baixos, eis o que a maioria quer, se o animal sente dor ou não, quem se importa? (Quem vai se importar com isso, se nossa raça produz indivíduos que espancam crianças e as atiram pela janela?) Portanto, ferro e fogo, o preço é barato, e quem estipula isso não é o peão, é o patrão. É fácil mandar o outro fazer. Para proprietários e governantes - e grande parte da população -, animais não são seres sensitivos que têm necessidades próprias e direito à existência, são apenas mercadorias que representam cifrões e movimentam a economia de um país.
Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-1