Antes do feriado de segunda-feira, 21 de abril, quando a maioria dos brasileiros aproveitará para desfrutar do ócio, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, voltará a ser julgado. Receberá novo veredicto hoje, em Bauru. Desta vez, no entanto, a sentença não levará em conta apenas sua participação na Inconfidência Mineira – tentativa de revolta contra a derrama e o domínio português, abortada pelo governo em 1789.
A partir de sua conduta, o júri decidirá se ele é exclusivamente um personagem histórico ou se galgou a posição de mito. A decisão caberá a professores do COC Sistema de Ensino em Bauru, que avaliarão a tese elaborada por alunos das duas classes da 7ª série da escola. Do total de 40 alunos, quatro serão advogados de defesa e quatro de acusação. Cada um dos quatro grupos conta ainda com pesquisadores, relator e testemunhas.
“Nosso objetivo pedagógico é que eles possam fazer a própria análise histórica. O conteúdo somente é válido quando o aluno passa a construir o conhecimento. Através do projeto, a gente tenta colocar o aluno como um debatedor, alguém crítico diante de uma informação histórica”, explica o professor de história Jeferson Alexandre Miranda, que idealizou o julgamento.
De acordo com ele, há um mês os alunos estão elaborando trabalhos sobre o assunto, tanto que um livro base foi escolhido para leitura. “O veredicto será dado a partir de uma comissão formada por professores de diversas áreas, que analisarão não somente a tese em si, mas o desenvolvimento do trabalho. Alguns alunos de ensino médio também estarão no júri”, explica o professor.
Réu
Para Miranda, Tiradentes é uma figura apaixonante porque era idealista e representava os anseios do povo. Para atingir a massa, a República, movimento elitista, evocou o modelo do Tiradentes para ser aprovada. “Ele deixa de ser personagem e passa a se tornar mito e é elevado à categoria de herói. Mas era humano, um revolucionário radical. Objetivo é que enxerguem o personagem humano e reparem a mitologia criada em torno do personagem”, acrescenta o professor de história.
O julgamento começa efetivamente às 14h30, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru. A partir das 14h, os alunos estarão no local iniciando os preparativos. “Todos estarão devidamente no figurino, os advogados usarão beca. Nós teremos o Tiradentes fantasiado com a imagem que se faz dele. É um professor, apenas figurativo”, conclui Miranda.
Depois que a sentença for conhecida, alunos poderão aproveitar o feriado prolongado. Veja o que abre e fecha em Bauru na próxima segunda-feira.