Bem adaptados à cidade, os ratos estão por toda Bauru. Mas uma moradora do Núcleo Geisel, que preferiu não ter o nome divulgado, acredita que na sua guerra contra os roedores, eles estão levando vantagem. Todos os meses sua residência passa por dedetização e desratização, mas nos últimos 40 dias, a situação só piora. Ontem, um rato invadiu a sua casa em plena luz do dia. Para especialistas, este é o alerta de que a infestação passou dos limites.
A moradora conta que no seu quarteirão existe um galpão abandonado, que serve de despejo. Ela acredita que os ratos encontraram no imóvel, o habitat ideal. “A lateral do lugar faz fundos com a minha casa. O muro é alto, tenho até uma edícula lá, mas os ratos passam por cima”, conta.
Ela informa que mensalmente faz a prevenção em sua casa, mas a quantidade de roedores está tão elevada que eles continuam a aparecer.
Cansada de tentar resolver a situação com o responsável pelo imóvel, a moradora acionou a Prefeitura. “Liguei no dia 28 de março e só hoje (ontem), me disseram que uma equipe deveria vir para cá”, disse.
Um outro vizinho do barracão reafirma que os moradores têm sofrido com a presença dos roedores. “Minha cachorra tem mandado ratos aos montes”, conta. Porém, ele avalia que mais perigoso que as ratazanas são os focos de possíveis criadouros de mosquito da dengue no imóvel. “Uma tampa de caixa d’água começou a envergar, formou uma bacia que acumula água da chuva. Está bem cheia agora. Já liguei na prefeitura pedindo providências, mas até agora, nada”, lamenta.
Prevenção
O diretor do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) Luís Ricardo Paes de Barros Cortez, disse que o órgão recebe de 15 a 20 denúncias por mês sobre aparecimento de ratos. De acordo com ele, a maioria dos casos é pontual e relacionada ao próprio imóvel do reclamante.
A orientação do CCZ é efetuar a desratização do lugar, com a aplicação de raticidas. E a antiratização, para eliminar o acesso dos roedores à residência, locais onde ele pode se abrigar e também a oferta de alimentos, como restos de comida ou ração de animais deixado de um dia para o outro no prato.
Cortez explica que os ratos têm aceso às casas por ralos sem grade e frestas nas portas e portões, por isso é necessário vedá-los. Para eliminar os possíveis abrigos, ele orienta às pessoas a não acumular muito material em quartos de despejo. “Mantenha-se livre das coisas que você não usa mais”, aconselha.
Mas a principal prevenção é evitar a possibilidade de alimento, como ração animal e restos de comida. “Feche o saco de ração, para evitar que o cheiro atraia o roedor e o guarde em lugar fechado”, orienta Cortez.
Cortez explica que quando os ratos chegam a invadir casas durante o dia em busca de comida, a alternativa é a desratização. Porém, se o serviço for mal executado, pode agravar a situação. “Se o veneno matar apenas parte da colônia, os animais que sobraram terão alimento de sobra, espaço e nenhum possível competidor”, alerta.
Ele desaconselha os raticidas fortes que matam os bichos em pouquíssimo tempo. “Os ratos são muito adaptados à cidade e relacionam aquele alimento à morte e param de comê-lo. Prefira os de ação crônica, que vai matando os roedores aos poucos, sem que eles percebam”, orienta. Quando solicitado, o CCZ vai até o morador reclamante e, se o foco da infestação for outro imóvel, o responsável é autuado.