Experiência que faz a diferença. Esse tem sido o lema das empresas no momento de decidir em que mãos deixar cargos que envolvam liderança e poder de decisão. Diferentemente de alguns anos, quando o status era trabalhar por várias décadas em uma única empresa, o mundo corporativo atual busca pessoas dinâmicas e, muitas vezes, com mais de 40 anos.
Levantamento de uma empresa especializada em recursos humanos apresenta dados interessantes: 1/3 dos profissionais a partir da faixa etária citada conseguiram emprego através do site (www.curriculum. com.br), o que significa que, dos 39.414 currículos atualizados após julho do ano passado, 11.123 conseguiram se recolocar no mercado de trabalho em todo o Brasil.
A professora de administração de empresas da Faculdade de Agudos (FAAG), Gislaine Zanetti cita dois fatores como experiência e necessidade de se especializar e atualizar como fatores que as colocam na frente na busca por uma vaga. O medo de perder o mercado de trabalho para os jovens também é um dos responsáveis para que essas pessoas voltem às salas de aula, por exemplo. “Quem tem mais de 40 anos procura se especializar para adquirir conhecimentos e colocá-los em prática”.
Outro item que conta a favor dos “quarentões”, segundo a professora, é que eles se adaptam com mais facilidade à cultura organizacional da companhia em detrimento ao jovem, que normalmente acabou de concluir o ensino superior e está cheio de energia, porém com maior vontade de mudança. “Criatividade é algo que toda a empresa busca em seu profissional, mas em uma economia que varia constantemente o melhor é não arriscar”, comenta. O casamento é visto como um diferencial. O convívio com a família torna o profissional mais maleável ao trabalhar em equipe. “Essa pessoa sabe lidar com situações atuais, ou seja, viveu em uma época passada e agora está atuante nessa época da história”.
Em Bauru, as consultorias de recursos humanos consultadas pelo Jornal da Cidade confirmam a tendência de empregar pessoas acima de 40 anos para cargos gerenciais. As contratações, no entanto, dependem do perfil da empresa. Há companhias na cidade, por exemplo, que têm em seu quadro de funcionários cerca de 95% dos empregados com até 27 anos. “Para alguns cargos, o cliente exige experiência e maturidade comportamental, próprios para uma idade mais avançada”, afirma Natália Rodeguero, analista de recursos humanos da empresa.
Nos testes que os candidatos a uma vaga no mercado de trabalho fazem, ela afirma que essa faixa etária apresenta maior estabilidade emocional, além de poder de decisão, iniciativa e de saber lidar melhor com conflitos. O estabelecimento não soube precisar em números a quantidade de currículos recebidos, porém ela afirma que são muitos, uma vez que são imprescindíveis para o trabalho da consultoria. “Essas pessoas apresentam resultados satisfatórios e boa postura durante a entrevista, sendo normalmente aprovadas”.
De acordo com o psicólogo e consultor de recursos humanos Fábio Silva, as empresas estão à procura de pessoas com grande vivência com o mercado de trabalho, o que significa que a experiência não é contada em anos. Silva, que trabalha para grandes corporações paulistas, cita executivos de grandes empresas com 30 anos de idade. “A experiência é um fator primordial, mas nem sempre uma pessoa mais velha é melhor que uma mais nova, e o contrário também se estabelece”, compara.