Economia & Negócios

Cresce procura por consórcio imobiliário

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Em busca de realizar o sonho da casa própria, cada vez mais consumidores têm procurado os consórcios como forma de adquirir novos imóveis. Embora existam muitas facilidades de financiamentos, diversas pessoas preferem fazer um consórcio para comprar sua casa, um imóvel comercial, ou até mesmo uma área para lazer, como uma casa na praia ou uma chácara. Essa modalidade de aquisição cresceu 17,6% no ano passado sobre 2006.

A maior vantagem em comprar um imóvel por meio de consórcio é a taxa de administração, muito mais baixa que os juros dos financiamentos habitacionais. O consórcio imobiliário funciona semelhante ao de um automóvel. O consorciado recebe uma carta de crédito no valor estipulado em contrato e, com a carta, pode comprar um imóvel novo ou usado ou, ainda, utilizar o dinheiro investido para reformar sua casa.

No ano passado, mais de 50,8 mil consorciados foram ao mercado para adquirir um imóvel novo ou usado, um terreno ou até mesmo construir a sua residência. Com crescimento de 17,6% sobre os 43,2 mil de 2006, o número de consorciados de imóveis vem crescendo ano após ano.

Com aproximadamente 470 mil participantes ativos registrados em dezembro último, o sistema contabiliza uma parcela significativa que comparou, na ponta do lápis, o desembolso e os custos entre uma compra parcelada por consórcio e por outros mecanismos. De acordo com pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o número de participantes de consórcios imobiliários aumentará 20% em 2008.

Crescimento

No ano passado, pouco mais de 214 mil novos consorciados aderiram ao sistema, 1,6% mais que os 210,9 mil de 2006. Segundo os dados do Banco Central, os consórcios vêm ampliando sua participação no Sistema Financeiro Habitacional (SFH). Enquanto em 1998 a presença era de 14%, em 2007 atingiu 21%. “Tanto no aspecto patrimonial como na realização do sonho da casa própria, há hoje cerca de 335 mil consorciados ainda não contemplados”, destaca o presidente da Abac, Luiz Fernando Savian.

Ainda segundo ele, há duas formas de conseguir o dinheiro da casa própria em um sistema de consórcios. O primeiro é ser contemplado nos sorteios mensais, baseados nos números da loteria federal. Assim, é possível receber mais rapidamente o dinheiro para comprar o imóvel, mas a pessoa continua pagando as prestações normalmente.

A segunda opção para antecipar o recebimento do dinheiro é juntar uma quantidade relativamente alta de recursos e fazer um lance: quem oferecer o valor mais alto no mês ganha o direito à carta de crédito mais cedo. Recomenda-se que para ser bem sucedido no “leilão” é necessário oferecer ao banco o equivalente a 30% do valor do bem. “Ao ser contemplada, a pessoa recebe uma carta de crédito para pagar o imóvel à vista”, diz Savian.

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Planejamento

Para o gerente da agência sede da Nossa Caixa em Bauru, Antônio Carlos Vieira, o maior atrativo dos consórcios é, sem dúvida, os valores mais baixos em relação ao financiamento. Segundo ele, as taxas de juros existentes nos financiamentos não existem no consórcio. “Nessa modalidade só existe a taxa de administração e as parcelas são menores”, comenta.

No entanto, Vieira salienta que quem entra em um consórcio imobiliário não pode ter pressa. Ele lembra que essa modalidade de crédito é boa para quem tem expectativa de conseguir um imóvel próprio, mas não tem pressa. “No financiamento a entrega é imediata, o que não acontece no consórcio, então, para quem tem pressa esse sistema não serve”, destaca.

O economista Gilberto Vieira faz coro às palavras do gerente da Nossa Caixa. De acordo com ele, para quem está planejando a longo prazo, o consórcio é uma das melhores opções. “Se a pessoa tiver uma meta de cinco anos, o consórcio é um excelente negócio”, frisa, avaliando que para aqueles que têm mais urgência em adquirir a casa própria, o financiamento ainda é a melhor opção, apesar das taxas de juros.

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