Depois de 16 anos morando na mesma residência no Núcleo Mary Dota, a família de Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos - que morreu durante ação policial em sua casa em dezembro passado - deixou o bairro. Há um mês, Elenice, mãe do garoto, e sua filha Débora, que ainda morava no local, se mudaram de lá. Elas não divulgaram o novo endereço, mas garantem que agora terão condições de reconstruir a vida.
De acordo com Débora, irmã de Rodrigues Júnior, a decisão foi difícil, mas ela avalia que com a mudança a família deve se reestruturar. “Decidimos de uma hora para a outra. Minha mãe até insistiu em ficar, mas ela avaliou que ficaria mais segura fora de lá”, conta. As máquinas da oficina de costura, onde mãe e filhas trabalham, foram levadas para o novo endereço duas semanas depois de mudarem de casa.
Com o relaxamento da prisão preventiva de cinco dos policiais que participaram da ação que resultou na morte do adolescente, a família avalia que tomou a decisão certa. “Morria de medo de encontrá-los no supermercado, ou andando na rua”, revela Deise, também irmã do garoto.
A mudança já trouxe resultados positivos para Elenice. Se até pouco tempo ela não saía de casa, não comia e dormia pouco, agora a costureira já consegue sair sem a companhia das filhas.
“Pensei que não fosse conseguir seguir a vida longe de lá. Mas já pego ônibus, vou ao mercado. Estou indo aos poucos”, conta. Para ela, o maior problema foi abandonar a casa onde o filho caçula passou toda a vida. “Ainda é muito triste”, diz.
Ontem, a família depôs mais uma vez no processo administrativo que avalia a conduta dos policiais durante a ação que resultou na morte de Rodrigues Júnior. Elenice e Débora participaram de uma acareação.