Regional

Morador de cemitério em Jaú recebe propostas de trabalho

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - O pedreiro e armador Nelson Alves, 59 anos, está prestes a abandonar o jazigo da família Alves no Cemitério Ana Rosa de Paula, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), onde mora há quase três meses. É que ele recebeu algumas propostas de trabalho para “mudança de casa” e está avaliando qual a que melhor se encaixa em seu perfil.

Depois de se tornar notícia em jornal, televisão e rádio, Alves recebeu inúmeras visitas. “Eu recebi propostas de trabalho e de moradia. Algumas já esqueci porque não me interessaram. Uma delas me chamou a atenção e estou analisando”, revela.

A proposta que está intrigando o pedreiro une trabalho e moradia. “É um rapaz do time de futebol, do XV de Jaú. Ele me procurou para dizer que eu posso morar no estádio. Vou abrir e fechar o portão.”

Em troca do trabalho, ele ganha moradia com água, luz e alimentação.“Eu ainda não sei. Estou esperando o que acontece. Não adianta ter pressa. Essas coisas é preciso pensar bem.”

Alves está cansando da vida “entre os mortos”. “Viver aqui não é fácil não. É ruim. A noite só tenho como companhia as baratas, os grilos e os gatos que caçam os ratos.”

Para a família, Zé Pedreiro, como era conhecido, não pretende voltar. “Eles não aceitam a minha bebida”, comenta.

Para ele, a mudança está pronta. “Basta pegar minhas coisinhas. A imagem de Nossa Senhora Aparecida, que eu achei no lixo, vou levar comigo.”

O par de olhos verdes do pedreiro brilha quando fala da santa e dos pais que estão enterrados no jazigo. “Eu vou voltar para cá, para ficar com eles.”

A Prefeitura de Jaú, através do Departamento de Assistência Social ofereceu ao pedreiro um lugar no abrigo, mas, de acordo com a assessoria de imprensa, ele recusou. A assessoria informou ainda que a assistente social do município está tentando contato com o filho de Nelson Alves.

Morando na cobertura

Nelson Alves é um homem decidido. Resolveu ir morar no túmulo da família Alves para ficar perto dos pais e de uma irmã que ali estão enterrados, como comentou há cerca de 10 dias. “Eu larguei a família e a profissão porque sou alcóolatra.” Há quase três meses no local, ele já apresenta um certo “estresse” e pode até mudar de vida, já que recebeu várias propostas.

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