Assim como as novelas, que estão sempre investindo em atores jovens, o humor também se renova na televisão. Apostando em piadas inteligentes e em novos talentos do improviso, “CQC” (Band) e “15 Minutos” (MTV) tentam se diferenciar do humor escrachado e dos esquetes prontos, enquanto o “Pânico na TV” (Rede TV!) procura trazer novidades para manter a sua audiência.
Danilo Gentili, que vive o atrapalhado repórter inexperiente do “CQC”, acredita que a maior parte dos humorísticos no ar subestima a capacidade do público. “Tem cara que acha que o telespectador é burro. Falta humor inteligente”, avalia. Gentili virou sensação do programa ao entrevistar personalidades, como a cantora Gretchen e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), e fazê-las perder a paciência com o seu aparente despreparo em conduzir a conversa.
Em uma de suas gafes, ele perguntou a Gretchen se ela atuou em um filme “pornô evangélico”. “A surpresa do programa está no tipo de pergunta que a gente faz”, fala Gentili. Prevendo o sucesso de seu personagem, o humorista gravou um estoque de entrevistas suficientes para preencher cerca de dois meses da atração. Apesar de não ter a intenção de ressuscitar o quadro, Gentili vai continuar procurando formas diferenciadas de fazer humor. “O brasileiro é muito viciado em novela da Globo. Os humoristas precisam aprender o tempo da comédia, ousar mais e respeitar o público.”
Seguindo a linha das sacadas rápidas, Marcelo Adnet, do “15 Minutos”, é outro que aposta na forte interação com o público para fazer humor. “Estou próximo dos telespectadores. Não uso maquiagem, falo a língua deles”, conta o jovem, conhecido por fazer sátiras de gente famosa em situações improváveis. Os pedidos são feitos pelo público, via e-mail.
Algumas de suas atuações mais famosas foram ter imitado o ator José Wilker cantando a “Créu” e o apresentador Silvio Santos entoando “Sweet Child o’Mine”, da banda norte-americana Guns N’ Roses - que viraram hits do YouTube.
“Antes eu dava conta de ler todos os pedidos, mas agora eu não dou mais. A gente está recebendo cerca de 10 mil e-mails por semana e agora tenho de dividir essa função com a produção”, fala o apresentador, que classifica o seu humor como “seco” e “surreal”. “Trabalho com a criação de situações desconcertantes”, afirma Adnet.
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‘Pânico’
Quase um ano após ter entrado para a turma de humoristas do “Pânico na TV” (Rede TV!), o humorista Evandro Santo - mais conhecido como o estilista brega Christian Pior, uma sátira do francês Christian Dior - conquistou o seu espaço na atração. Após emplacar esquetes como “Meda”, “Dô, Não Dô” e “Amaury Dumbo”, ele se prepara para lançar um novo quadro, ainda em fase de produção.
“Serei eu sozinho, entrevistando uma pessoa que será escolhida pelo programa em um ambiente tranqüilo. Essa atração já está sendo gravada e deve entrar no ar em um ou dois meses”, conta Santo, que prefere manter o mistério sobre a nova atração. “Só posso adiantar que o quadro será gravado na casa desse entrevistado e que terá uma sacada diferente”, completa.
O comediante, que classifica o seu humor como “agridoce”, acredita que seu diferencial esteja nas piadas rápidas. “Preciso ser ágil para conseguir fazer uma piada na hora”, diz.