Anjo sem asas, você sabe o porquê deste apelido!! Anteontem, 20 de abril, sentada ao seu lado, no último dia de d. Lúcia, sua querida mãe, junto a nós, fiquei a pensar que quando nos conhecemos tínhamos nossos entes queridos todos junto a nós. Eu já tinha devolvido dois a Deus. E conversávamos sobre eles...nossos pais irmãos, que tanto amamos. Às vezes, pela nossa idade, fazíamos alguma crítica sobre nossos pais, mas com muito carinho. Coisa de filho que acha que sabe mais que eles. Ledo engano... eles eram sábios, naquela simplicidade.
E a vida foi passando....gente nova entrando na família, filhos... namorados e nós, como sempre, trocando idéias. Tínhamos nos nossos pais um apoio tão grande que parecia que seus braços eram como galhos de árvores, sempre por perto. Nos momentos de alegria e nos momentos de tristeza lá estavam eles, bem junto de nós, dando-nos a única coisa que queríamos: o braço e uma palavra carinhosa!
Nós dois nunca perdemos o contacto, sempre procuramos o ombro um do outro, e sempre encontramos. O tempo foi passando, cabelos ganhando um prateado de leve, mas eles ainda estavam por aqui. Os filhos foram saindo, cada qual por um motivo. Quando nos demos conta....estavam indo embora, os muito amados...voltando para uma vida melhor. Foi um meu, um seu....e assim sucessivamente. E hoje, aqui na frente de d. Lúcia, inerte, vimos que os que nos adoravam de verdade, sem interesse algum, já estão nos esperando num lugar, creio eu, bem melhor que este onde estamos. Tivemos pais lindos, mas demos muito a eles, não materialmente, mas carinhosamente. Fizemos parte de uma geração de amor e respeito, carregamos nosso sangue italiano, dávamos o devido valor a quem adorávamos.
Você foi um filho maravilhoso, fez de sua vida seu sacerdócio, sei que com certo sacrifício deles. Mas depois proporcionou-lhes viagens encantadas, onde tiveram a oportunidade de rever nossa Itália! E nunca os abandonou, sou testemunha disso. Amigo.....sei como você está com o coração doendo.. de saber que as luzes da casa tão hospitaleira de d. Lúcia estarão apagadas, quando você chegar cansado no fim do dia. Não a levará mais ao supermercado, que ela gostava tanto de ir, e você pacientemente ia. Mas vamos crer que eles estão num lindo lugar a nos esperar, para nos dar aquele abraço que sentimos tanta saudade. E nesse dia poderemos dizer-lhes... Eu amo muito vocês!!!
Ana Maria Provedello - RG 6.905.070