Desta vez não foi uma segunda-feira, mas já é a terceira semana consecutiva que o primeiro dia útil da semana é conturbado no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru. Muitas crianças sentem os efeitos do frio e os pais e responsáveis correm à unidade de urgência e emergência para uma consulta. O resultado foi mais uma noite de espera para muitos usuários do sistema público de saúde.
Quando a reportagem do Jornal da Cidade chegou ao PAI, havia pelo menos 40 crianças aguardando atendimento. De acordo com informações obtidas no local, às 20h, as duas médicas pediatras que estavam atendendo terminavam de efetuar as consultas dos pacientes que preencheram fichas às 16h30.
No final da tarde, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da assessoria de comunicação da prefeitura, informou que o atendimento do Pronto-Socorro Infantil estava sendo realizado normalmente. De acordo com a administração do Pronto-Socorro, o quadro de pediatras está completo e o tempo média de espera era de duas horas.
Porém não foi o que relatou a auxiliar de serviços gerais Janaína Alegria Bonomo, 24 anos, que chegou às 10h, com o filho Nathan Adrian, de 6 anos, e só saiu da unidade às 18h. Segundo ela, o garoto tinha torcido o pé e estava com muita dor. “Às 13h mudaram de plantão e somente duas médicas começaram a atender. Saí daqui e ainda tive que ir até o raio-x. Lá, a espera também foi muito longa”, revela. Ela ainda aguardava o serviço social da unidade, para ver se conseguia um atestado médico para que pudesse descansar. “Eu entro no trabalho às 22h. Como vou conseguir trabalhar a noite toda depois de ficar aqui o dia inteiro?”, questionava.
Cláudia Vanessa Eugênia dos Santos, 24 anos, aguardava o atendimento do seu filho Jorge Eduardo, 11 meses, desde as 15h. Às 20h, o bebê tinha apenas feito a pré-consulta. “Ele está com início de pneumonia e até agora não foi atendido. E pediram para nós termos paciência”, conta.
A moradora do Jardim das Orquídeas Célia Moreira de Oliveira Caparoz chegou com suas duas filhas às 14h30. As 20h30 ela saía da unidade para que as meninas pudessem se alimentar. A sua caçula, Caroline, 6 anos, tinha acabado de fazer uma sessão de inalação e teria que fazer uma segunda logo em seguida. “Não estava preparada para ficar tudo isso aqui. Quando cheguei, estava calor. As meninas vieram sem blusa e agora está muito frio”, diz.
Para ela, uma saída para o problema seria a reabertura das unidades de saúde que funcionavam como prontos-socorros, como a do Mary Dota e do Ipiranga. No início de março, a Secretaria Municipal de Saúde informou que está reformando estes prédios para que eles funcionem como prontos-atendimentos. A expectativa é que estas unidades sejam entregues até o final do semestre.