Criado após os atentados do 11 de Setembro para ajudar na recuperação da economia da Baixa Manhattan, onde ficavam as Torres Gêmeas, o Festival de Tribeca chega hoje à sétima edição ainda à espera de uma definição - ou, para seus detratores, com cara de nada. Afinal, como enquadrar um festival que tem, entre 120 títulos, franquias de Hollywood, como a versão do desenho “Speed Racer”, o documentário “Chevolution”, sobre Cuba e a cultura pop, e o brasileiro “Tropa de Elite”?
Mais: um festival que também traz, entre os 24 títulos da mostra competitiva, a ficção “Ramchand Pakistani”, sobre um garotinho paquistanês que cruza inadvertidamente a fronteira da Índia, e o documentário “An Omar Broadway Film”, em que um presidiário filma escondido as barbaridades da cadeia. E ainda: que tem como filme de abertura “Baby Mama”, comédia da Universal protagonizada por estrelas do “Saturday Night Live”.
A respeito da aparente crise de identidade, o ator Robert de Niro, sócio da produtora que o criou, é breve. “Não se pode agradar a todos”, diz, desviando-se de uma outra explicação: sendo caso raro de grande festival que não é pago com dinheiro público, o Tribeca depende da venda de ingressos. A proposta de estimular a economia local continua funcionando: o festival gera cerca US$ 100 milhões para seu bairro - no qual De Niro, aliás, acaba de inaugurar um hotel de luxo.
Uma das promessas de bilheteria do festival é “Redbelt”, filme sobre jiu jitsu dirigido por David Mamet, que tem no elenco Rodrigo Santoro e Alice Braga, que é aguardada para o tapete vermelho. O Brasil estará representado por duas fitas, ambas fora da competição. O documentário “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, terá quatro sessões. “Tropa de Elite”, de José Padilha, terá três, as primeiras nos EUA, onde chega com o destaque de ter sido Urso de Ouro em Berlim.
Em reportagem do jornal “New York Times” sobre o festival, foi também apresentado como “ultraviolento” e “sucesso gigante no Brasil”. Para Padilha, jurado da mostra competitiva, o Tribeca não é importante para o filme. “Só vai ser lançado nos EUA no final do ano e está fora da competição. Não terá destaque.” Ainda assim, o produtor Marcos Prado também acompanha a exibição. “Ficarei disponível para entrevistas e farei contatos sobre outros projetos”, diz Prado.