Tribuna do Leitor

O que falta?


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A turba aprendeu - e como - com os erros da ditadura militar nos anos de chumbo! Por isso mesmo não os repete, não os comete agora... Para que defenestrar presidente da República? Para que fechar o Congresso Nacional? Havia ou há, hoje em dia, necessidade de que todos os partidos políticos sejam extintos? E a respeito da imposição à Nação de algum instrumento esdrúxulo, assemelhado a um novo AI-5? Para que tudo isso?

Há uma ressalva, porém: embora personagem bastante antigo, eles fizeram escola com o mestre Lênin, em cujas arcaicas teorias ainda se inspiram. Senão vejamos: o Congresso é submisso e servil ao núcleo duro do “pudê”! Tal qual como era o Kremlin, aprova o que o mestre mandar e repele o que não lhe interessa. Forjam-se provas e encobertam-se delitos a troco de dinheiro, que viaja em malas pretas ou, até mesmo, dentro de cuecas. Enfim, o Legislativo Federal não é mais um poder independente, mesmo porque a oposição, mais que covarde, é incompetente, quando não conivente. Isto posto, para efeitos puramente decorativos, se os partidos políticos não atrapalham aquilo que foi planificado, para que cometer o crime que os militares cometeram quando, fechando o Congresso, cercaram-no com soldados, baionetas e tanques de guerra? O legislativo, portanto, é apenas uma jóia a decorar a coroa “D’el Rey”. E mais: as Forças Armadas devem obediência a um ministro civil, ex-presidente do STF e amicíssimo de Sua Alteza. Vai daí que tudo está “nos conforme...”

Se efetivamente - e com todos os méritos- a ministra e ex-presidente do STF, Ellen Gracie, for mesmo para a corte de Haia, como ela pretende, “El Rey” estará indicando o seu sétimo ministro dentre os 11 do STF que, tudo indica, será o seu admirador, José Antonio Dias Tofolli, atual Advogado Geral da União, cargo ao qual foi guindado por Sua Alteza. Considere-se, ainda, que todos os postos de confiança dos segundos e terceiros escalões dos ministérios, das estatais e das agências reguladoras estão aparelhados, como em um verdadeiro “Politburo”, por incompetentes da base de apoio político do Executivo.

Eleições? Ora, estão e estarão sempre “no papo”! O programa Bolsa Família atende cerca de 30% da população, sendo 65% delas no Nordeste. O programa Saúde da Família atende 69 milhões de pessoas em 4.640 municípios e, o PAT, outros 8 milhões. Atendimentos esses na base do “faz-de-conta”, sempre eleitoreiros e visando, unicamente, angariar votos para a perpetuação “disso tudo que está aí” no comando desta Terra de Santa Cruz! Tudo isso, meus concidadãos, com o dinheiro sofrido dos nossos impostos, que já beiram os 40% do PIB!

Agora, senhores leitores, reflitam e respondam: estamos ou não engaiolados em um regime de exceção? Ou, se preferem, numa ditadura? “Liberdade! Liberdade... Abre as asas sobre nós!”

João Guilherme Ortolan

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