São Paulo - Um terremoto de 5,2 graus na escala Richter aconteceu anteontem às 21h e 48 segundos na costa do Estado de São Paulo e, depois de se propagar em ondas de choque durante dois minutos, atingiu todos os bairros da Capital paulista, assustando milhares de pessoas. O tremor atingiu mais três Estados - Rio, Paraná e Santa Catarina. Os abalos foram sentidos em várias cidades do Estado de São Paulo.
O chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, Lucas Vieira de Barros, admitiu a hipótese de que outros tremores, de intensidade parecida, aconteçam nos próximos dias: “Em geral a sismicidade se mantém por um período mais longo, até o reacomodamento do terreno.” “Em termos mundiais, os 5,2 graus na escala Richter são apenas uma magnitude moderada, mas em termos de Brasil, o abalo foi expressiva”, afirmou Vieira de Barros, em relação ao terremoto de anteontem à noite.
Em geral, tremores dessa magnitude provocam no máximo pequenos danos em edifícios. Até as 23h, não havia relatos de construções danificadas nem de pessoas feridas. O epicentro do tremor foi em um ponto em alto mar localizado a uma distância de 215 quilômetros de São Vicente e a uma profundidade estimada de 10 quilômetros, segundo os sismógrafos do US Geological Survey, órgão do governo dos Estados Unidos que monitora desastres naturais.
Em relação à cidade de São Paulo, o epicentro estava a 270 quilômetros. O terremoto foi sentido em um raio de 300 a 400 quilômetros em torno do epicentro. Bombeiros dos municípios da Grande São Paulo receberam centenas de telefonemas logo após o tremor. Eram pessoas assustadas, que queriam entender o que havia ocorrido.
O tremor no epicentro durou fração de segundos, mas as vibrações geradas por ele prolongaram-se por cerca de cinco segundos e foram sentidas principalmente pelas pessoas que estavam em andares mais altos de edifícios. “Foi um grande susto. Eu nunca tinha passado por isso antes. O sofá mexeu, a persiana começou a bater, minha vizinha veio para cá correndo. O prédio foi para a direita e para a esquerda várias vezes”, disse Patrícia Barboza, 37 anos, que mora no sexto andar de um edifício de oito andares no Butantã (zona oeste de São Paulo).
Segundo o cientista Vieira de Barros, o terremoto foi causado por movimentos na camada tectônica em que se apóia o continente sul-americano. “Foi uma liberação de energia na forma de onda sísmica”, disse o pesquisador, anteontem à noite, de seu laboratório.
Para Vieira de Barros, o Brasil vem assistindo ao que chama de “recrudescimento sísmico”, o que explicaria a ocorrência, por exemplo, de vários terremotos iniciados neste ano em Sobral (Ceará), com amplitudes de até 3,9 graus, e em dezembro do ano passado em Itacarambi (Minas Gerais), com 4,9 graus na escala Richter.
Este último tremor causou a morte de uma menina de cinco anos. (Cada grau a mais na escala Richter significa abalo com intensidade 30 vezes maior ao do grau anterior).
O pesquisador da Universidade de Brasília explica que a atividade sísmica que se observa agora no Estado de São Paulo provavelmente decorre de um longo ciclo de acumulação de energia em falhas geológicas ativas. É como se uma camada de terra “empurrasse” outra até que esta trincasse. Essas trincas são os terremotos.
Segundo o professor Marcelo Assunção, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo, o fato de o epicentro localizar-se no oceano não autoriza “de maneira alguma” temores a respeito de tsunamis. “A intensidade do tremor paulista foi insignificante, a movimentação dissipou-se rapidamente. Nada que se compare ao terremoto que gerou o tsunami”, diz.
Na Tailândia, em 2004, o terremoto teve 9 graus na escala Richter. “Nem uma onda sequer foi gerada pelo terremoto desta noite”, afirma o pesquisador. Segundo o professor George Sand França, do Observatório Sismológico da UnB, já ocorreram no país cinco terremotos de magnitude maior do que o terremoto de anteontem à noite e dois com os mesmo 5,2 graus.
O terremoto mais forte ocorreu no Brasil aconteceu em 1955. Foi de 6,2 graus na escala Richter e chacoalhou a localidade de Portos Gaúchos, no Mato Grosso. “Acredito que a população não corre risco. O único risco é o pânico com o efeito do fenômeno. Os prédios vão oscilar com maior amplitude”, afirmou França. Segundo ele, de dez em dez anos ocorre um terremoto desta intensidade no Brasil.