Rural

Evento da raça quarto de milha impulsiona a economia de Bauru durante seis dias

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Todas as estimativas superadas. Esta frase pode, ainda que timidamente, resumir os resultados do 18.º Congresso Brasileiro da Raça Quarto de Milha, realizado em Bauru no período de 16 a 21 deste mês, no Recinto Mello Moraes. A rede hoteleira da cidade teve ocupação de quase 100%, restaurantes tiveram movimento bem acima da média e o comércio teve as vendas elevadas como se fosse uma “data comemorativa” fora de época. O setor de lazer também foi privilegiado.

Na avaliação de Érico Braga, presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco) - entidade que administra o Mello Moraes -, a movimentação de competidores e seus familiares, investidores e visitantes durante o evento gerou impacto de aproximadamente R$ 10 milhões na economia de Bauru. Segundo ele, cerca de 20 mil pessoas vieram de outras cidades atraídas pelo congresso, promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM).

De acordo com levantamento da associação, o evento encerrado na última segunda-feira superou em 30% os resultados obtidos no ano passado. Foram registradas 4.166 inscrições e 1.645 animais disputando as provas com muita técnica, habilidade, versatilidade e a beleza característica da raça quarto de milha. A premiação total foi de R$ 390 mil - dividida entre os vencedores -, além de 117 fivelas importadas de campeões e 600 troféus. Participaram competidores de 19 Estados do País, e cerca de 40 mil visitantes passaram pelo recinto durante os seis dias de competições.

Érico Braga ressalta a importância dos diversos segmentos de atividade econômica se prepararem para receber eventos desse porte, já que os resultados reverberam na economia local de forma eficiente.

“É importante que haja uma movimentação em torno desses eventos em benefício da economia da cidade como um todo. Os hotéis, por exemplo, podem ceder diárias que serão utilizadas para a hospedagem de juízes, organizadores do evento e para artistas que vêm fazer shows. Nos finais de semana cai bastante o nível de ocupação nos hotéis de Bauru, e esses eventos revertem essa situação. Além disso, os visitantes movimentam toda a economia da cidade”, observa o presidente da Arco, que no início da década de 90 também presidiu a ABQM.

Projetos no comércio

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Benedito Luiz da Silva, diz que os reflexos do congresso da ABQM para o comércio da cidade foram tão significativos que a entidade colocará em prática um projeto para incentivar os lojistas a se preparar para esses eventos.

“A movimentação gerada nos setores de comércio e serviços foi muito grande, especialmente na região sul da cidade. Para nós, comerciantes, é muito fácil notar uma movimentação que não faz parte da rotina, e foi exatamente isso que aconteceu durante os dias do evento. Na sexta-feira, sábado e domingo os restaurantes estavam lotados, assim como o Bauru Shopping. O setor hoteleiro teve ocupação de 100% todos os dias”, comemora o empresário.

Segundo Silva, os bares e restaurantes que ofereceram serviços na praça de alimentação montada dentro do recinto também tiveram resultados acima do esperado.

“Esses eventos são muito importantes para a cidade porque estão fora do calendário oficial (de datas comemorativas). Nós (Acib) temos um projeto para começar a explorar (comercialmente) essas datas juntamente com os eventos. O pessoal da zona sul vai começar a se articular para ter campanhas promocionais nessas épocas”, ressalta Silva.

Se depender da quantidade de grandes eventos já programados para este ano, não faltarão oportunidades aos comerciantes de Bauru. Em julho será realizado o campeonato nacional da raça quarto de milha, em agosto será a vez da Grand Expo Bauru e, em outubro, o Potro do Futuro, também promovido pela ABQM. “Os empresários dos ramos de comércio e de alimentação de Bauru devem se preparar para participar mais desses eventos, porque os resultados são sempre satisfatórios”, orienta o presidente da Acib.

Melhorias

Segundo Érico Braga, os resultados do congresso foram tão positivos que a Arco investirá em melhorias no Recinto Mello Moraes para receber o próximo evento promovido pela ABQM no local, que será em julho. O objetivo é fazer de Bauru a sede permanente dos eventos anuais promovidos pela associação nacional.

“Vamos complementar as calçadas e os muros (em torno do recinto), fazer melhorias nas pistas de laço e apartação, instalar cabines para locução nessas pistas e melhorias nos sanitários. Também vamos utilizar uma área, de 20 mil metros quadrados, de utilidade pública já liberada pela prefeitura para ampliar o estacionamento ao lado do recinto. Para 2009, pretendemos ter pista coberta no recinto para a realização de mais provas”, enfatiza o presidente da Arco.

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Leilões movimentam R$ 6 milhões

Entre as marcas que foram superadas durante o 18.º Congresso Brasileiro da Raça Quarto de Milha está o resultado dos cinco leilões realizados: R$ 6 milhões, superando em 20% a estimativa inicial, com a venda de 202 exemplares. No terceiro dia de eventos, durante o 4º Leilão Haras Michelle & Convidados foi registrado um dos maiores preços em comercialização de animal da raça neste ano.

A fêmea Sally Shady (Shady Leo x Sally Trouble FF, por Trouble Two Times) - com 23 primeiros lugares nas competições em que participou -, foi vendida por R$ 268,8 mil. Ela foi arrematada pelo criador Rodrigo Andrade Valadares Gontijo, de Belo Horizonte (MG).

Para Érico Braga, criador da raça e presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), a evolução do quarto de milha no País está estreitamente ligada ao fato dos animais se adaptarem muito bem às provas realizadas no Brasil, como a vaquejada, esporte muito comum no Nordeste. Os animais da raça também se destacam nas provas de trabalho e conformação.

A raça quarto de milha surgiu nos Estados Unidos por volta do século 17. Os primeiros exemplares foram trazidos da Arábia e Turquia por exploradores e comerciantes espanhóis e cruzados com éguas inglesas. A raça resultante do cruzamento era aplicada na lida com o gado e no lazer dos finais de semana, que eram as corridas de um quarto de milha (402 metros) - originando o nome da raça.

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