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Ney Matogrosso vira divindade no palco do show ‘Inclassificáveis’

Por Raquel Cozer | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

A roupa, como de costume assinada por Ocimar Versolato, faísca dos pés ao penacho no topo da cabeça. É Ney Matogrosso em sua versão divindade, num colante com dezenas de milhares de micropaetês e diversos balangandãs, no show “Inclassificáveis”, que o Canal Brasil exibe hoje, às 17h, e amanhã, às 11h.

Ney não precisa do traje dourado para brilhar, e evidencia isso ao se despir dessa segunda (na verdade, terceira) pele. Nos batuques entre o fim de “Sea” (Jorge Drexler) e o momento ápice do show, “Cavaleiro de Aruanda” (Tony Osanah), deixa-se mostrar com uma, agora sim, segunda pele - cor de pele.

O choque de realidade entre esse “deus” de 66 anos e a “humanidade” se dá quando, descendo do pedestal, acerca-se do público. “É claro que eu tô a fim”, canta, em “Por que a Gente É Assim” (Cazuza/ Ezequiel Neves/ Frejat), e sua sensualidade é agressivamente avessa à placidez dos senhores e senhoras e dos casais de 30 e poucos anos que formam seu público.

Ney alardeia em entrevistas que existe ali uma crítica sociopolítica, em músicas como “O Tempo Não Pára” (Arnaldo Brandão/ Cazuza), “Ode aos Ratos” (Edu Lobo/ Chico Buarque) e “Mal Necessário” (Mauro Kwitko). Esta última, gravada em 1978, serve também a definir a divindade: “Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher, sou a mesa e as cadeiras desse cabaré”.

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