Internacional

Colômbia protesta com Equador por posição sobre Farc

Por Folhapress | Com Reuters
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Bogotá - A Colômbia anunciou ontem que protestará junto a Quito pelas declarações do presidente do Equador de que reconheceria as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como uma força beligerante se o grupo deixar os sequestros e ataques terroristas, posição rejeitada pelo presidente colombiano, Alvaro Uribe.

Trata-se do mais recente incidente diplomático entre os governos dos dois países com sérias diferenças sobre o conflito interno colombiano.

As relações diplomáticas entre Bogotá e Quito estão estremecidas desde que as forças militares colombianas atacaram um acampamento das Farc em solo equatoriano, em março, matando o líder rebelde Raúl Reyes.

“Naturalmente vamos protestar do ponto de vista diplomático pelas declarações feitas pelo presidente Correa, que violam os acordos que temos conseguido”, disse o chanceler colombiano, Fernando Araújo, em resposta a recentes comentários do presidente Rafael Correa sobre as Farc.

“Consideramos que um país democrático não pode cair na tentação de dar nenhum tipo de status a grupos que executam atos de terrorismo permanentemente“, disse.

Políticos e Farc

Arranhado pelos laços expostos entre políticos governistas e paramilitares de extrema-direita, o governo colombiano tirou ontem o foco do episódio destacando um escândalo que diz ser “ainda maior”: a “farcopolítica”, ligações entre membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e personalidades nacionais.

“De agora em diante, o país vai exigir que todos esses vínculos sejam esclarecidos e que a justiça seja aplicada”, disse o presidente Álvaro Uribe, ele próprio alvo de investigações sobre elos com paramilitares.

O apelo do presidente vem um dia depois das declarações feitas por seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. Segundo Santos, dados em computadores de dois guerrilheiros da cúpula das Farc, Raúl Reyes e Iván Ríos, possibilitarão a abertura de processos contra os envolvidos.

Os computadores foram apreendidos após o ataque colombiano no território do Equador em 1º de março, no qual Reyes foi morto. Ríos, também da cúpula das Farc, foi assassinado por um ex-guerrilheiro poucos dias depois. As afirmações chegam no momento em que se aprofunda a crise no governo gerada pela divulgação de vínculos de legisladores com paramilitares, que já levou à prisão de 36 legisladores.

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