Rio - Oito pessoas, entre elas duas grávidas, ficaram feridas após a colisão entre dois trens ontem de manhã no pátio de manobras a 500 metros da Central do Brasil, no Rio. O acidente deixou milhares de passageiros sem o meio de transporte por pelo menos sete horas. Às 9h15, um trem com oito vagões, que levava 300 passageiros, partiu rumo a Japeri, na Baixada Fluminense.
Três minutos depois, em baixa velocidade, esse trem se chocou lateralmente com uma composição que seguia vazia, com nove vagões, em linha paralela, com destino à oficina na antiga estação Derby Club, na Praça da Bandeira. Em seguida, no trem, os passageiros foram sacudidos por uma súbita inclinação de 40 graus.
O presidente da concessionária Supervia, Amin Alves Murad, descartou a possibilidade de descarrilamento anterior à colisão. E disse que a causa do acidente só poderá ser esclarecida após perícia no local. No entanto, o presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Walmir de Lemos, não esperou a conclusão do laudo para acusar a Supervia de negligência na manutenção da rede: “Trilhos desgastados, bolsões de lama, dormentes podres, pouca brita e muitos parafusos a menos. Certamente a falta de manutenção permanente na via foi a causa provável do acidente”.
Segundo ele, esse foi o quarto acidente na rede em apenas 30 dias. O Conselho Diretor da Agetransp determinou a instauração de processo de apuração das causas e responsabilidades pelo acidente, para posterior análise e determinação de eventuais medidas preventivas e punitivas.
O acidente comprometeu a rede aérea da ferrovia, que, por prevenção, foi desativada. Além disso, os trens pararam em pleno entroncamento de linhas. Com isso, os demais trens que seguiam atrás, no mesmo sentido, tiveram a viagem interrompida. Cerca de 3 mil pessoas abandonaram as composições e seguiram a pé, pelos trilhos, de volta à gare da Central, tomada por 40 homens do Batalhão de Choque, convocados em reforço aos 20 policiais militares da guarda ferroviária.
“Optamos por desativar a rede aérea para não pôr em risco os passageiros, porque não sabíamos o seu nível de comprometimento”, explicou o presidente da Supervia. “O fato é que a manutenção tem sido feita de modo precário. Onde deveria ter três parafusos, só se vê dois. E o que mais me preocupa é a vista grossa das autoridades do governo do Estado. “A causa do acidente será apurada, mas ainda assim, o trem é um meio de transporte de alta confiabilidade”, afirmou, no local, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes.