Rio - O governo federal estuda alternativas ao reajuste do valor pago à energia excedente do Paraguai produzida da usina binacional de Itaipu como forma de ajudar o Paraguai, disse o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) ontem. Uma delas é o investimento na linhas de transmissão de energia daquele país, que ele julgou ser falha.
“Há várias alternativas para buscar ajudar o Paraguai. Umas são por meio de Itaipu, mas há vários outros também. O Paraguai tem a maior hidrelétrica do mundo e tem eletricidade falha em Assunção”, declarou Amorim, na manhã de ontem, no Rio. “Um dos problemas mencionados (na imprensa) é que o Paraguai quer vender para o Brasil a energia porque não usa, mas ele não usa porque não tem linhas de transmissão.”
Embora negue aceitar um reajuste ao preço pago ao Paraguai pelo excedente produzido em Itaipu, o ministro afirmou que o Brasil tem intenção de ajudar o vizinho porque tem dívida com ele e por ser interessante economicamente. “O Brasil fez muito pouco pelo Paraguai até hoje. E para o Brasil é interessante que o Paraguai seja próspero e estável”, disse.
O presidente Lula defendeu ontem que o Brasil contribui para que países mais pobres recebam ajuda dos mais ricos, como o Brasil. A declaração foi feita em Paulínia (Interior de São Paulo), onde Lula participou da inauguração da Braskem, petroquímica que tem 25% de capital da Petrobras e recebeu investimentos de R$ 700 milhões. “Não há razão para brigar com o Paraguai, somos um país mais rico e mais industrializado. O Brasil não tem de ser generoso com o Paraguai, mas contribuir para que esses países (mais pobres) fiquem mais industrializados”, afirmou o presidente.
A declaração foi feita em alusão ao recente atrito com o Paraguai no que se refere ao reajuste da tarifa paga pelo Brasil pela energia da usina de Itaipu, da qual os dois países são sócios. O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, defende um reajuste do preço, afirmando que o correto é que se pague o “preço de mercado”. Por outro lado, o Brasil considera o valor justo. Lula, porém, já sinalizou que pode conversar sobre uma possível mudança.