O Programa Espacial Brasileiro caiu no vácuo. Desde fevereiro do ano passado, negociações efetivas entre o Brasil e a Nasa não avançam. Sem o contato, o trabalho técnico do astronauta tenente-coronel aviador Marcos Pontes também não avança em Houston, nos Estados Unidos. Trazido pelo Jornal da Cidade, ontem ele esteve em Bauru, onde participou do Encontro Geral da Aviação (Egav2008). Na ocasião, abordou a questão “O Brasil no Espaço.
Sua participação no evento contempla a função de astronauta, cujas atribuições são múltiplas em terra. “Tenho que motivar a juventude, formar recursos humanos, falar com a imprensa, com políticos. Sou um relações públicas do programa”, explica. Pontes também tenta estimular empresas nacionais a atuar junto ao programa. É um trabalho de persistência.
As peças a serem desenvolvidas pelo Brasil não saíram do papel. Em função do tempo restrito, a responsabilidade foi repassada às indústrias americanas, que já atuam na área. “Na parte técnica, realmente o Brasil poderia ter feito essas peças. Não é só fazer e acabou. Isso representa colocar as indústrias brasileiras no mercado internacional bastante restrito. Significa exportação. Fabricar algo para o espaço dá lucro”, ressalta o astronauta.
Como engenheiro aeronáutico, ele próprio tem habilidade para colocar a mão na massa e desenvolver uma delas. No entanto, aguarda uma definição. “Estamos prontos para fazer o que estiver definido. Espero que tenhamos alguma solução”, diz. Pontes está esperançoso com o trabalho de Carlos Ganem, que assumiu a presidência da Agência Espacial Brasileira no final de março deste ano.
Com novo comando, a participação brasileira na estação espacial internacional pode até mudar. Peças de solo, por exemplo, também são necessárias, não apenas as espaciais. Uma definição, porém, é necessária. Nesse contexto, a possibilidade do País deixar o programa também não está descartada. Mas as dificuldades em solo verde-amerelo não são novas.
A mesma preocupação persiste desde antes da missão do astronauta, que voltou do espaço em abril de 2006. Na época, o aspecto científico obteve ótimo desempenho e continua em desenvolvimento, ressalta Pontes. “Agora, a parte técnica, ainda precisa correr atrás”, admite. Enquanto isso, assume o papel relações públicas de todo astronauta e tenta sensibilizar o País pela causa.