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Por dívida de R$ 80,00, rapaz é seqüestrado, torturado e ameaçado de morte por traficantes

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Fernando (nome fictício) tem 29 anos e, até alguns meses atrás, nunca havia se envolvido com drogas. Até que experimentou o crack e acabou indo para o fundo do poço, como ele próprio diz. “A minha fissura era tanta que comecei a traficar”, conta.

Um primo de Fernando, que mantinha um ponto de venda de entorpecentes na região oeste de Bauru, foi o intermediário entre o rapaz e o mundo do crime. “Comecei a trabalhar com ele como lagarto (uma espécie de faz-tudo do tráfico) e, em pouco tempo, conheci praticamente todas as ‘bocas’ que funcionam naquela área da cidade”, garante.

De acordo com ele, existiriam pelo menos 30 pontos de venda de drogas só na região dos jardins Terra Branca, Ouro Verde e Ferraz e das vilas Giunta, Souto e Popular Ipiranga. “Eu cheguei a ficar cara a cara com patrões, enquanto eles embalavam e montavam as paradas de crack”, afirma.

A situação de Fernando começou a se complicar no dia em que ele resolveu pegar oito pedras de crack (o equivalente a cerca de R$ 80,00) para comercializar. “Como eu era viciado, acabei fumando toda a mercadoria e fiquei sem dinheiro para pagar o patrão”, conta.

Depois de receber inúmeras ameaças, Fernando resolveu se mudar para outro bairro da cidade, mas sua tranqüilidade durou pouco. “Certo dia, eu estava na frente de um supermercado quando os traficantes chegaram de carro e me seqüestraram”, recorda-se ele.

Seis homens participaram da represália contra Fernando. Ele foi levado de carro a uma cidade da região e brutalmente espancado. “Apanhei com jornal molhado, toalha de banho, taco de bilhar, pedaço de madeira. O pior é que os caras sabiam um jeito de bater que não deixava marcas no corpo”, afirma.

Das 9h às 20h30, Fernando enfrentou seis sessões de tortura, em que teve de permanecer amarrado a uma cadeira enquanto era agredido. Além disso, os criminosos mantinham-se em contato constante com a mãe do rapaz, exigindo que pagasse a dívida do filho.

“Primeiro ela mandou R$ 80,00 para os traficantes, por meio de um motoboy. Depois, eles passaram a dizer para ela que a dívida estava em R$ 150,00, por causa dos juros. Eles falaram que se ela não mandasse mais R$ 70,00, ela nunca mais me veria com vida. Só que ela não tinha mais um centavo no bolso”, diz ele.

O drama de Fernando só terminou no começo da noite, depois que o padrasto retornou do serviço. “Ele viu minha mãe nervosa e resolveu negociar com os traficantes por telefone: ‘Se vocês quiserem, eu dou mais R$ 150,00 para vocês, mas quero ver meu filho com vida’”, diz Fernando.

Os bandidos responderam, então, que queriam apenas os R$ 70,00 devidos e concordaram em libertar Fernando. Ele foi entregue em casa por um mototaxista no final da noite.

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