Bairros

A trajetória dos japoneses no município

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

O centenário da imigração japonesa no Brasil será comemorado este ano, no dia 18 de junho, data em que o vapor Kasato Maru atracou no porto de Santos, em 1908, trazendo 781 japoneses cheios de sonhos ao Brasil. O navio que trouxe os primeiros imigrantes ao Brasil saiu porto de Kobe no dia 28 de abril. A viagem durou 52 dias e foi cercada de expectativas e sonhos. A maior parte, ansiosa por retornar ao Japão, não conseguiu fazê-lo.

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram a Bauru em 1914. Muitos deles estava em outras cidades do Estado e, em busca de melhores condições para morar e trabalhar, chegou à cidade. “Os registros históricos apontam que os primeiros imigrantes em Bauru foram direto para a fazenda Brasília trabalhar na lavoura”, relata Maria do Carmo Kobayashi, pesquisadora da história japonesa na cidade.

Desse grupo, Massaki Kuwana foi o primeiro a pisar em solo bauruense. Nascido na cidade de Kochi, no Japão, Kuawana também desembarcou em Santos, mas chegou a Bauru graças à estrada de ferro.

Em 1917, o segundo grupo de imigrantes chegou a Bauru. Jitsutaro Yanagui estava entre os japoneses que, depois de desembarcarem em Santos, pegaram o trem rumo a Bauru e se instalaram na pensão Issoshiti Sawao, que recebia todos os conterrâneos que chegavam à cidade naquela época.

“Esses japoneses já não sofreram tanto, porque estava no fim o período conhecido como ouro verde, quando o café dominava a lavoura”, conta Kobayashi. De acordo com a pesquisadora, essas pessoas também trabalharam na agricultura, mas as condições de trabalho já eram melhores.

Enquanto os primeiros imigrantes chegavam a Bauru, o Estado de São Paulo já contava com mais de 10 mil imigrantes, espalhados pelas fazendas produtoras de café no Interior paulista. Nessa época, o Governo deixou de subsidiar a vinda dos imigrantes para o Estado, devido à situação financeira desfavorável enfrentada na época.

“Boa parte dos imigrantes que chegaram para trabalhar e morar em Bauru não participou da era do ouro verde, mas sim, do ouro branco. As plantações de algodão invadiram a região e os japoneses trabalharam na colheita do produto”, conta Kobayashi.

A pesquisadora explica que, depois do algodão, os imigrantes começaram a abandonar o campo e se transferiram para a cidade. Foi nesse período que muitos deles apostaram no setor hortifrutigranjeiro como forma de subsistência. “Muitas famílias ainda hoje vivem de granjas e das hortas montadas pelos pais e avós na década de 30”, afirma.

Foi nessa época que alguns imigrantes se mudaram para a região onde hoje está localizada a Vila Independência. O bairro, criado pelos imigrantes, foi chamado inicialmente de Água do Sobrado, devido a um córrego que existia no local e oferecia água em abundância para que os japoneses pudessem desenvolver a horticultura na cidade.

Já adaptados à cidade, os japoneses criaram em 1936 o Clube Nipo-Brasileiro. Três anos mais tarde a primeira Igreja Missionário Tenrikyo foi fundada na Vila Independência. Com a 2ª Guerra Mundial (1938-1945), os imigrantes começaram a ser discriminados, tanto que o simples fatos de se comunicar em japonês poderia resultar em prisão.

“Com o fim da guerra, o sonho dos imigrantes de retornar ao país de origem caiu por terra. O Japão se encontrava destruído e sem condições de receber de volta essas pessoas”, conta a pesquisadora. Vivendo em Bauru há mais de 30 anos, os imigrantes descobriram que não poderiam voltar ao país de origem e começaram a investir nos mais diferentes tipos de comércio, culinária e agricultura.

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Pioneiros

De acordo com a história, os primeiros imigrantes japoneses a pisarem em solo brasileiro não foram os que vieram a bordo do vapor Kasato Maru em 1908, mas sim quatro tripulantes do barco Wakamiya Maru, que em 1903 afundou na costa do Japão. Salvos por um navio russo, eles desembarcaram no ano seguinte no Porto Desterro, em Florianópolis (SC).

A chegada do vapor Kasato Maru ao Porto de Santos marcou a vinda de uma grande quantidade de imigrantes que desembarcaram no País de maneira regular, amparados pelo Tratado da Amizade, Comércio e Navegação, assinado entre os dois países.

Seis anos mais tarde, em 1914, os imigrantes já formavam um batalhão com mais de 10 mil pessoas. Em 1958, data da comemoração do cinqüentenário da imigração japonesa no Brasil, o número de japoneses e descendentes no País somava 404.630 pessoas.

Em 2008, a população japonesa no Brasil é considerada a maior comunidade de descendentes fora do Japão, sendo estimada em 1,5 milhão, segundo o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros. Atualmente, 75% dos descendentes estão concentrados no Estado de São Paulo. Desse total, 35% estão no Interior. Dados apontam que pouco mais de 0,5% deles reside em Bauru.

De acordo com o Ministério da Justiça do Japão, em 2006, 313 mil Nipo-Brasileiros estavam no Japão trabalhando de maneira temporária no país. São os chamados dekasseguis, que deixam o Brasil em busca de melhores condições de vida no Japão, mas que alimentam a intenção de voltar algum dia.

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