Campinas - Para o bem e para o mal, o chileno Valdívia é a cara do Paulista-2008, que abre sua decisão hoje, com o primeiro jogo entre Ponte Preta e Palmeiras, no Moisés Lucarelli. No duelo que ou vai tirar o time da capital de uma fila de 12 anos na competição ou dar à centenária equipe campineira seu primeiro título importante, o meia mais uma vez vai colocar em campo o seu comportamento, que gera ao mesmo tempo desconforto e prazer.
No primeiro caso estão adversários e árbitros. Os rivais não dão trégua para o cabeludo chileno. Segundo o Datafolha, Valdívia é o jogador mais caçado do Paulista, com 6,8 faltas recebidas por jogo. Com os juízes, tampouco tem vida fácil: ele já garantiu o título de recordista de cartões amarelos - foram 11 em 18 partidas.
Desde que chegou ao Brasil, disputou dois Brasileiros e dois Paulistas. Neles, Valdívia somou quase o dobro de amarelos (33) do que gols marcados (18). As súmulas dos confrontos atestam que seu “prontuário” é variado. Valdívia foi advertido com o amarelo por seis motivos diferentes, incluindo cinco advertências por “atitude inconveniente” - é o recordista nesse item no país nos últimos anos.
Na lista, ainda aparecem amarelos por reclamação, simulação, gestos direcionados aos árbitros, entradas desleais e evitar o reinício do jogo. “A maioria dos cartões que eu tomei foram bobos. Bobo sou eu, que fico reclamando”, afirma Valdívia, que foi assunto durante quase toda a semana no clube campineiro. “Além de jogar, ele sabe fazer isso (provocar)”, diz Sérgio Guedes, o técnico da Ponte.
Mas o mesmo jogador que irrita proporcionou alguns dos mais belos momentos do Paulista, no qual, enfim, mostrou jeito de artilheiro. Ele já marcou oito gols, seu recorde em uma competição no Brasil.
Desde que chegou ao País, Valdívia sempre esteve no top 5 dos dribles nos torneios acompanhados pelo Datafolha. “Costumo dizer que prego que se destaca é martelado. Os rivais se preocupam com ele e, muitas vezes, ele é caçado”, declara Gustavo Caetano Rogério, ex-comandante da arbitragem do futebol paulista.
Hoje, Valdívia novamente entra em campo pendurado. Promete se comportar. “Não quero ver o segundo jogo da arquibancada. Quero ser campeão no campo”, diz o meia, suspenso por motivos disciplinares pela seleção de seu país e cotado para jogar na Europa no meio da temporada.
Por ter a melhor campanha, o Palmeiras tem a vantagem do empate contra a Ponte. O segundo jogo da decisão está marcado para o próximo domingo, também às 16h, no Parque Antártica, na Capital. Não há mais ingressos para o duelo de hoje, que terá pouco mais de 18 mil torcedores. Do lado do Palmeiras serão só convidados da diretoria e membros de torcidas organizadas, fãs incondicionais de Valdívia. No entanto, haverá quase 16 mil ponte-pretanos para irritar Valdívia no Moisés Lucarelli.