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Esticando a área urbana...


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Gosto de mapas. Então primeiro vi a imagem, depois me fixei na matéria da página 4 do JC, em 25 de abril último.

Pensei: vai ter água para todo mundo? É essencial à vida e não estará disponível eternamente, lamento informar. Ela ocupa 70% da superfície do globo. Só tem um probleminha: 97% desse total é água salgada, o restante está em geleiras e subsolos. Sobrou pouco? Pois é. Se você não beber água em dois dias morre de sede. O meu amigo Marcelo Borges deve estar dizendo: terrorismo puro. Não é. A quantidade de água existente no planeta não aumenta nem diminui há três bilhões de anos. Então, o macarrão cozido para o jantar de ontem pode ter sido feito na água que os romanos tomaram banho para irem discutir no Senado o assassinato de Júlio César. A preocupação é desnecessária, ela não diminui, mesmo... Mas a população aumenta em progressão geométrica e a água se encontra ameaçada pelas alterações climáticas e pela degradação ambiental tornando-se um elemento de disputa entre nações. Um relatório do Banco Mundial da década de 90 afirmava que as guerras do século XXI “seriam por causa de água, não por causa do petróleo ou política”.

No referido artigo dois vereadores defenderam a ampliação da área urbana de Bauru. Eu e todo bauruense esperto quer uma cidade grande, bonita, limpa, progressista, despoluída e principalmente com um pouco de água para a sobrevivência de nossos filhos e netos. A Terra vive uma fase de extinção da vida e o responsável por isso é o homem. Vereadores, eu não sou contra o aumento da área urbana. A Seplan parece-me tem essa mesma visão, pois não descarta a possibilidade, só está pedindo calma e alertando sobre o impacto ambiental de um dos locais citando justamente a água, ou a falta dela, como exemplo.

Em 1987 foi publicado o famoso Relatório Brundtland sobre o meio ambiente. Dentre os assuntos discutidos está o desenvolvimento sustentável, a qualidade de vida, a preservação dos ecossistemas, da biodiversidade, o controle da urbanização desordenada. O tripé desse relatório é: atividade econômica, meio-ambiente e bem estar da sociedade. Algumas medidas são sugeridas na implantação de um programa de desenvolvimento sustentável, tais como, a reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais, o aproveitamento das fontes alternativas de energia, bem como o menor uso de produtos químicos prejudiciais à saúde, a reciclagem e o não desperdício de água. Será que todos leram o relatório do Banco Mundial sobre guerras por causa de água e não de petróleo?

Vamos lá, realizar um programa desse porte requer conscientização da sociedade, participação do governo municipal e iniciativa privada. Para tanto, não se deve deixar uma estratégia desse porte ficar a mercê do livre comércio, visto que danos irreparáveis podem ser causados por um capitalismo cada vez mais selvagem. Entendo que, desenvolvimento sustentável é a satisfação das necessidades básicas da população, e a necessidade primordial nesse caso é a água, onde a vida se originou e onde ela pode ter fim.

A autora, Janira Fainer Bastos, é articulista do Opinião

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