Economia & Negócios

Estado e prefeitura admitem: Banco do Povo sofre com grande burocracia

Por Gabriel Ottoboni | Com redação
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade de Santa Fé do Sul possui aproximadamente 28 mil habitantes e, no ano passado, fechou mais de R$ 1 milhão em contratos através do Banco do Povo Paulista, que concede empréstimos a pequenos empreendedores. A situação do pequeno município é, de longe, mais confortável em relação a Bauru nesse aspecto. Criado pelo governo do Estado com a finalidade de impulsionar pequenos negócios e, conseqüentemente, gerar empregos, a situação não se reflete na unidade de Bauru. O excesso de burocracia, como a necessidade de avalista, tem emperrado o sucesso do projeto na cidade.

O banco é administrado pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (Sert) em parceria com prefeituras. Em funcionamento desde outubro de 2004 em Bauru, a unidade negociou no ano passado apenas 25,9% do valor disponível, com R$ 259 mil através de 78 contratos. Ainda em 2007, dos 429 municípios com agências do Banco do Povo, Bauru ocupou a simbólica posição de 195.º no ranking das unidades que mais solicitaram empréstimos. Em 2006, a situação foi ainda pior: foram emprestados R$ 236 mil num total de 83 contratos. Neste ano, foram fechados 14 contratos, no valor total de R$ 47.229,00. Cerca de 30% dos clientes do banco em Bauru são autônomos e costureiras.

Para o Estado, o principal problema é a divulgação. A opinião é do diretor-executivo do Banco do Povo, Antônio Sebastião Teixeira Mendonça. Ele reconhece, ainda, que a demanda por microcrédito em Bauru é baixa e que o programa poderia atingir um número maior de munícipes. Para ele, a divulgação, de responsabilidade da prefeitura, ainda não é realizada de forma adequada. “Hoje o Banco do Povo é desconhecido de muita gente, com uma divulgação mais boca-a-boca”.

Linhas alternativas

Outro entrave que emperra o acesso ao crédito, segundo Mendonça, são as linhas alternativas. Um exemplo é o crédito pessoal. Mesmo com taxas de juros diferenciadas, o financiamento é liberado automaticamente nas instituições financeiras. No Banco do Povo, a liberação depende de aprovação prévia.

Ele afirma que a unidade poderia render mais e que o Estado reconhece a necessidade de melhorias. Para tentar corrigir o problema, a Caravana do Empreendedorismo irá visitar 23 municípios paulistas para discutir o programa. Será elaborado um diagnóstico das dificuldades apresentadas e o governo realizará um trabalho de sensibilização junto a prefeitos sobre a importância do programa em relação ao desenvolvimento local.

“O programa foi criado há dez anos e o governador (José) Serra (PSDB) deseja ampliar e facilitar o acesso ao crédito. Queremos facilitar o trabalho do agente de crédito e agilizar a liberação do recurso, mas precisamos estruturar todas as unidades”. Ele adianta que, em breve, as prestações serão pagas através de débito automático, evitando filas em bancos. Desde a sua implantação, o Banco do Povo já emprestou mais de R$ 500 milhões.

Para o gerente regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi, cidades menores como Bocaina e Lins - essa última recentemente considerada referência de acesso ao crédito - apresentam índices significativos de contratos fechados no Banco do Povo. “O único lugar onde o Banco do Povo não funciona é Bauru”, diz.

Debiasi destaca que o Sebrae tinha intenção de monitorar a utilização dos financiamentos nos pequenos negócios, porém, a idéia não vingou. “Gostaríamos de criar uma política para que, antes da pessoa tirar o recurso, fosse obrigada a ter alguma orientação, mas na prática isso não funcionou”.

Gerente da instituição financeira responsável pela formulação dos contratos do Banco do Povo, Antônio Carlos Vieira também aponta equívocos na unidade de Bauru. “O principal deles é a falta de divulgação”, ressalta.

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Fala-povo

‘Você conhece o Banco do Povo?’

“Fui eu que escolhi o banco que sou cliente, mas nunca ouvi falar”, Silvana Aparecida de Freitas Domingos,doméstica

“Nunca ouvi falar. Estranho um banco com nome do povo e o povo não conhecer”, Fransuelen Felipe, auxiliar de loja

“Já ouvi falar. Eu sabia, mas esqueci. Se falassem mais sobre isso, eu saberia”, Nélson Aparecido Barbosa Almeida, auxiliar de pedreiro

“Nunca ouvi falar, mas é normal porque não sou de Bauru. Moro em Duartina”, Mário Tadeu Bertozzo, vendedor autônomo

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