Economia & Negócios

Construção civil em Bauru ‘importa’ e ‘exporta’ mão-de-obra

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 4 min

O “boom” da construção civil no Brasil tem provocado uma situação, no mínimo, inusitada. Ao mesmo tempo em que o aquecimento do setor proporciona números de contratação cada vez maiores, há falta de mão-de-obra especializada no mercado. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon), somente no primeiro bimestre deste ano foram contratados cerca de 2 milhões de trabalhadores no País. Por outro lado, há um déficit de 200 mil trabalhadores no Brasil.

Em Bauru, a situação não é diferente. A cidade “importa” e também “exporta” profissionais das mais diferentes áreas. Quem sai do município, geralmente é seduzido por melhores salários e vai trabalhar em grandes Capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Do Nordeste, a cidade recebe operários para trabalhar com instalação de gesso. A rotatividade do mercado, no entanto, não permite quantificar o número de trabalhadores incluídos nessa “ciranda” do emprego na construção civil.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Bauru e Região, Cláudio da Silva Gomes, as áreas de telecomunicações e instalação elétrica são as que mais empregam trabalhadores daqui em outros Estados. Ele afirma que o setor vive seu melhor momento em 30 anos, após a construção de grandes usinas hidrelétricas. Naquela época, ele lembra que não houve incentivos à profissionalização. “A aprendizagem vinha através da prática”, afirma. “Atualmente nós temos grande demanda de mão-de-obra, porém, temos dificuldade em localizar essas pessoas.”

Salário

Atualmente, as próprias empresas estabelecem pisos salariais que normalmente são superiores aos negociados pelos sindicatos, o que torna natural a ida de trabalhadores para outros centros de construção. Assim como acontece com os alimentos, onde a grande procura por um determinado produto em falta no mercado faz com que os preços aumentem, na construção civil a história não é diferente. Empreiteiras chegam a oferecer até 40% acima do valor do piso para carpinteiros, por exemplo. O preço varia de R$ 1.200,00 a R$ 1.500,00, e o piso da categoria é de R$ 850,00.

Em Bauru, Gomes cita os indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para explicar a alta deste setor, um dos que mais crescem em termos de empregabilidade.

No Estado de São Paulo, o déficit de trabalhadores previsto para este ano é de 71 mil, de acordo com dados do Sintracon. O presidente da entidade, Antonio de Souza Ramalho, afirma que a reviravolta no setor começou em 2003 e que a falta de mão-de-obra na construção civil será a tônica nos próximos anos, já que há um grande déficit habitacional no Brasil.

O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon) em Bauru, Ralph Ribeiro Júnior, observa que falta mão-de-obra qualificada para o setor e que a migração de trabalhadores se concentra em direção à Capital paulista. Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o órgão irá inaugurar uma escola voltada para a qualificação de pessoal em todas as áreas da construção civil, naquela que é considerada a primeira do Interior do Brasil com essa finalidade.

Obras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Grande São Paulo, Campinas e Baixada Santista, com 23 municípios, deverão fomentar ainda mais o setor. Somente em Peruíbe, a construção daquele que é considerado um dos maiores portos do mundo irá empregar 35 mil funcionários no período de construção da obra que irá “desafogar” Santos e Rio de Janeiro. O empreendimento, cujas obras começam em outubro, deverá ficar pronto em sete anos.

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Empregos em alta

Segundo dados da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert), órgão vinculado ao governo do Estado, no ano passado Bauru ficou entre as 16 cidades que mais contrataram trabalhadores, incluindo a Capital paulista. Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade, o setor que mais se destacou no saldo de vagas (diferença entre admissões e demissões) foi o da construção civil, que somou 2.290 contratações de janeiro a novembro de 2007.

No último dia 4, o JC também divulgou pesquisa feita pela Sert, com base no Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), que revela o aquecimento do setor nos últimos anos. Neste estudo, a Região Administrativa (RA) de Bauru, composta por 39 municípios, foi a que apresentou maior crescimento no número de empregos com carteira assinada entre 2002 e 2006. No período, o setor que apresentou maior taxa de crescimento médio anual também foi o da construção civil, com 19%. Somente em Bauru, no mesmo período o maior crescimento anual também ocorreu neste setor, com índice de 31,5%.

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