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Futsal: ‘Pelé branco’ volta à liga e lembra duelos com 'Rei'

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 5 min

Protagonista de grandes duelos com Pelé, ainda adolescente em Bauru, Wilson Maceri ganhou o apelido de “Pelé Branco” por aplicar dribles desconcertantes em zagueiros e fixos (no futsal) nas décadas de 50 e 60. Hoje, Maceri está novamente à frente da Liga Bauruense de Futsal (LBF) e tem como objetivo “reaquecer” na cidade o esporte com maior número de praticantes no Brasil.

O conhecido atacante da equipe do 4º Batalhão da Polícia Militar, no futsal, e do Fortaleza, onde foi pentacampeão do Campeonato Varzeano, de futebol de campo, Maceri recebeu a equipe do JC na nova sede da LBF e falou sobre os tempos como jogador e as propostas para o futsal bauruense que pretende implementar à frente da entidade. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

JC - Você esteve à frente da LBF por quantas vezes?

Wilson Maceri – Fui presidente em 89, 90 e 91 e depois fiquei fora da diretoria. Em 2001, o Márcio Luiz Augusto pediu que o auxiliasse quando concorreu à presidência da Liga. Dei uma mão para ele até 2004, quando decidi dar uma parada porque estava realmente cansado. Agora resolvi concorrer novamente à presidência. Aceitei e consegui vencer.

JC - A Liga Bauruense de Futsal vive o início de uma nova fase. Quais as propostas dessa renovação?

Maceri – Graças aos nossos amigos, estamos com uma sede nova. E agora os campeonatos irão fluir. De acordo com o nosso diretor técnico, Alexandre Christianini, estamos com 12 equipes filiadas e abriremos inscrições para os campeonatos principal, sub-9, sub-11 e veteranos. Vamos fazer os quatro campeonatos agora. Nosso quadro de árbitros é um dos melhores de toda a região. Temos ainda a intenção de fazer os campeonatos master, sub-13 e sub-15. Para fechar a temporada queremos realizar um campeonato feminino e, ainda, estamos avaliando junto com um canal de televisão a realização de um campeonato regional.

Jornal da Cidade - Como foi seu início no futsal?

Maceri - Comecei jogando futebol de campo e futebol de salão, mas meu nome teve mais evidência no futebol de salão. Nunca nem pensei em ser jogador profissional. Trabalhei durante 26 anos na Polícia Militar. E estou há 22 anos como diretor de esportes do Preve Objetivo. Joguei futebol de salão até 1986 com 49 anos, como veterano.

JC – Quais equipes você defendeu?

Maceri – No futebol de salão joguei pelo 4º Batalhão da Polícia Militar e no BAC como master. No futebol de campo joguei no Fortaleza, onde fomos pentacampeões. E participei de alguns clubes varzeanos, o Amador de hoje.

JC – Nunca chegou a jogar fora de Bauru?

Maceri – Joguei por alguns times da região como o da Usina Barra Grande. E também fiz uma temporada pela equipe de Piratininga.

JC - Você chegou a enfrentar Pelé quando ele jogava pelo Radium em Bauru. Dizem que, quando se enfrentavam, ocorriam grandes duelos entre vocês. Conte um pouco essa passagem?

Maceri – Sim, mas ele era mais jogador que eu tranqüilamente. Aliás, ele foi mais jogador que todos os jogadores que apareceram até hoje.

JC - Confirma o apelido de “Pelé Branco” que você ganhou no início da carreira?

Maceri – Fui chamado de Pelé Branco por jornais e revistas. Todos em Bauru sabiam desse apelido que surgiu porque eu tinha muita facilidade de trabalhar com a bola. Não que eu pensasse mais rápido que os fixos do futebol de salão ou os zagueiros do futebol de campo. Mas tinha determinadas jogadas que eles jamais raciocinariam que eu ia fazê-las. É por isso e por jogadas desconcertantes para a época que veio o apelido. Naquela época o (Oscar) Padilha, um dos redatores de esporte da Folha do Povo de Bauru, que começou a me chamar por esse apelido.

JC – Você se lembra de um fato marcante de quando jogou com Pelé?

Maceri – Um fato dele não existe. Existem vitórias dele por oito, nove ou dez gols de diferença. Na equipe deles, às vezes, tinha um ou outro jogador que conseguisse me marcar bem. Mas na nossa equipe ninguém conseguia marcá-lo. Foi um jogo da PRG-8 contra o Radium, que deve ter sido mais ou menos em 54. Eu devia ter 17 e 18 anos e ele tinha 14 ou 15. Ele era um menininho muito magro e eu tinha muita amizade com ele porque ele trabalhava em uma fábrica de botas perto da minha casa e a gente sempre jogava junto. Eu jogava pelo caçula da Antártica e ele jogava pelo Baquinho no futebol de campo. Tive novamente o “desprazer” de jogar contra ele e eles venceram na prorrogação por 4 a 1.

JC – Você chegou a jogar ao lado dele?

Maceri – Infelizmente não. Há uns 20 anos fizemos um jogo de veteranos do caçula da Antártica contra os veteranos do Baquinho da época dele. Ele veio e mais uma vez conseguiram ganhar da gente por 4 a 1. Na ocasião, aquele drible que ele não toca na bola e passa pelo goleiro e a bola sai passando perto da trave ele fez aqui.

JC – Mas dessa vez conseguiu marcar o gol?

Maceri – Conseguiu. Nosso goleiro era o Salvador, já falecido. E o único gol do Antártica foi eu quem fiz. Mas ele era fora de série.

JC – Então o senhor teve uma amizade com ele mesmo depois da fama?

Maceri – Não tinha mais muito contato, mas tinha amizade. Certa vez, quando ele deu uma entrevista para um canal de TV, ele lembrou de mim.

JC - Depois você jogou o Amadorzão por quais equipes?

Maceri – Joguei pelo Fortaleza, onde fui pentacampeão. Eu acredito que o Fortaleza tenha sido o melhor time da história do campeonato varzeano de Bauru.

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