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Polícia Científica diz que madrasta iniciou agressões contra Isabella

Por Da Redação | Com AE e Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Polícia Científica concluiu que a madrasta de Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos, foi a primeira a agredir a menina na noite do crime, 29 de março. Segundo a perícia, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, bateu na garota com uma chave tetra ainda no Ford Ka da família. A versão foi simulada ontem.

Na recriação da cena, uma perita representando Anna Jatobá, sentada no banco do passageiro, agride Isabella com a chave usando o braço esquerdo. A boneca que representava Isabella estava no lado esquerdo do banco traseiro. O irmão Cauã, 1 ano, estava em uma cadeirinha de bebê no meio do banco e Pietro, 3 anos, do lado direito.

As marcas de sangue no carro reforçam a versão que Isabella foi agredida com a chave, segundo a perícia. Há uma gota no espaço entre o banco do motorista e do passageiro, outra na parte de trás do banco do motorista e a última ao direito esquerdo de onde Isabella estava sentada. É por isso que, mesmo com o fato de o laudo ser inconclusivo sobre de quem é o sangue no automóvel, o promotor Francisco José Taddei Cembranelli afirma que os resíduos são da menina. A polícia acredita que a agressão com a chave foi a primeira porque havia sangue no carro e, com exceção do ferimento na testa e das marcas de esganadura, não há outros sinais de violência contra a menina. Todos os demais ferimentos foram causados pela queda, diz a perícia.

A chave usada na suposta agressão seria a cópia de Anna Jatobá do apartamento. O objeto não foi encontrado pela polícia. O molho de chaves que está no 9.º DP (Carandiru), à disposição do casal são de Alexandre Alves Nardoni, 29 anos, pai de Isabella e marido de Anna Jatobá. Pela versão da polícia, a agressão teria ocorrido por conta de uma briga de ciúmes entre a madrasta e Nardoni.

Segundo a polícia, ainda não é possível saber se a agressão à vítima ocorreu já na garagem do Residencial London, no Carandiru (zona norte de SP), ou no caminho até o prédio.

De acordo com a perícia, a família desceu do carro às 23h36min11s. Todos subiram juntos até o apartamento, de acordo com a simulação da polícia. Nardoni carregava a filha ferida nos braços e Anna Jatobá levava o filho menor no colo. O outro garoto seguiu caminhando.

No apartamento, segundo a perícia, Nardoni teria levado Isabella no colo até o quarto dos irmãos. Anna Jatobá, então, teria esganado Isabella, que estava encostada em uma das camas. Nardoni, por sua vez, teria cortado a rede protetora e atirado a menina. Toda a ação teria sido feita em 13 minutos e 46 segundos.

A Polícia Civil planeja encaminhar hoje à Justiça o inquérito número 301/08, sobre a morte de Isabella Nardoni. No relatório, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Helena da Silva Pontes, do 9.º Distrito Policial, devem incluir o pedido de prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, indiciados no dia 18 por homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima).

Nos últimos 30 dias, investigadores ouviram mais de 65 pessoas, incluindo o casal, parentes, amigos e testemunhas. Mas são nas 83 páginas do laudo final elaborado pelo Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística (IC) que estão as principais provas contra os acusados. A reportagem teve acesso ontem à íntegra do documento que colocou Nardoni na cena do crime. Além de confirmar a tese da acusação, fotos anexadas dão idéia do calvário a que Isabella foi submetida.

Rogério Neres de Sousa, um dos advogados do casal, afirmou ontem que os indiciados continuam na casa dos pais de Anna. A defesa ainda não definiu se vai pedir habeas corpus preventivo para evitar a possível prisão do casal.

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