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Advogado nega fuga do casal Nardoni; missa marca um mês da morte de Isabella

Folhapress
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São Paulo - O advogado Ricardo Martins negou ontem que o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, tenham um plano para fugir do País. “O casal não vai fugir. Trata-se apenas de especulação e boatos de procedência que desconhecemos. O casal está à disposição da Justiça. Eles não vão fugir. Até porque eles têm dois filhos menores”, afirmou.

Investigadores do 9.º DP (Carandiru), delegacia que investiga o caso, informaram anteontem à Justiça terem obtido informações de um plano de saída de Alexandre e Anna Jatobá, possivelmente para Portugal. Antonio Nardoni, pai de Alexandre, negou que o filho tivesse intenção de fugir. “Ninguém vai sair do País, ninguém vai sair para lugar nenhum. Eles têm absoluta certeza de que são inocentes, e nós vamos levar isso até o final”, diz. “Eles (polícia) têm que criar o fato para tentar justificar a decretação da prisão.”

Segundo Martins, os integrantes da defesa desconhecem que tenha sido feito qualquer tipo de consulta para hospedagem do casal fora do local onde permanecem, em Guarulhos (Grande São Paulo), no apartamento dos pais de Anna Carolina. Ele afirmou que ainda não está definido se a defesa solicitará à Justiça um habeas corpus preventivo em favor dos seus clientes.

O corte feito na tela de proteção do apartamento durante a reconstituição da morte de Isabella, no último domingo, é diferente do corte original feito pelo assassino para jogar a menina pela janela. As diferenças entre o que aconteceu na noite do crime e no dia da reconstituição serão uma das estratégias de defesa do casal. Os advogados de defesa deverão tentar anular, judicialmente, a reconstituição do crime utilizando como base essas alegações.

Os advogados analisaram os laudos periciais ontem. Um dos objetivos é confrontar os resultados com a reconstituição do crime. Na comparação de imagens nas duas datas diferentes, é possível ver que o perito (representando Nardoni) cortou a tela quase verticalmente (de baixo para cima). O buraco formado na tela no dia da reconstituição é mais alto do que largo, diferente do buraco feito pelo criminoso.

Outros fatos serão levados em conta pelos advogados para questionar a reconstituição. Um deles é que a reprodução simulada foi feita a partir das 10h do domingo, enquanto o crime ocorreu no final da noite de 29 de março. Outro é que a polícia não fez testes de sons para saber se supostos gritos do casal suspeito ou de Isabella poderiam ter sido ouvidos por vizinhos.

Um mês

A morte de Isabella Nardoni, 5 anos, completou um mês ontem. O Cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã (zona norte de SP), onde está enterrado o corpo de Isabella, deverá receber hoje de manhã cerca de 1.000 pessoas para uma missa campal em homenagem à menina. De acordo com informações da administração do cemitério, um esquema especial de segurança foi montado para o evento, com uma tenda armada ao lado do velório, para abrigar cerca de 1.000 “convidados da família”.

O evento não será aberto ao público, de acordo com a administração do cemitério. Uma lista de presença previamente elaborada por familiares será utilizada para permitir que somente convidados entrem no local.

A Igreja Nossa Senhora da Candelária, na região de Santana (zona norte de SP), celebrou anteontem, às 19h30, uma missa em memória da morte de Isabella. A própria igreja incluiu o tema no culto, e não familiares da menina, segundo a secretaria paroquial.

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