e evito aborrecimento

Um dia desse passado

dia quente de verão

deu uma chuva muito forte

cheia de raio e trovão

chegou a estragar a terra,

parecia uma guerra,

abriu cratera e erosão

Houve enxurradas tão forte

que até árvore arrancou

Um velho toco arrancado

a água também levou

Foi tanta chuva chovida

a maior que vi na vida

até o rio transbordou

Entre os troncos que rodaram

foi um toco apodrecido cheio

de fendas

e ocos pelo tempo carcomido

Essa madeira encharcada

enroscou-se numa galhada

teve o curso interrompido

Depois que a chuva passou

tudo estava sossegado

fui fazer uma pescaria

que é coisa do meu agrado

naquelas beiras de grota

peguei algumas minhocas

deixei meu anzol armado

Deixei esse anzol de espera

e com um outro eu pescava

Senti um peixe puxando

que até a vara entortava

ainda gritei, é agora!

que o pescador vai embora

com a força que ele puxava

Passados alguns minutos

senti que algo estava errado

O anzol não puxava mais,

porém não foi liberado

Fui puxando devagar,

vi alguma coisa boiar

e meu anzol enroscado

Constatei que era um toco,

que do rio eu retirei

Não pude tirar o anzol

então a linha eu cortei

Pus o toco no barranco,

que ainda me serviu de banco

encima dele eu sentei

Preparei um outro anzol

e retomei a pescaria

Mata, rio e pescador

em perfeita harmonia

era pôr o anzol na água

um peixe logo puxava

pro meu embornal eu trazia

Enquanto o tempo passava

a água do toco escorrendo

Como a madeira enxugava

senti alguma coisas acontecendo

Parece coisa de louco,

mas era dentro do toco

que ouvi algo se mexendo

Pensando ser uma cobra

ou outro bicho venenoso

fui logo rachar o toco,

não que eu seja curioso,

com foice, machado e

sabre achei mais de trinta bagres

dentro do toco piscoso.

Lázaro Carneiro é pescador e contador de histórias.

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