Bauru é cortada por quatro rodovias. São mais de 25 quilômetros destas vias no perímetro urbano, muitos deles ao lado de bairros bastante populosos. E os pedestres possuem apenas cinco passarelas para atravessar estas rodovias em segurança. Mas, mesmo em lugares bem próximos a passarelas para travessia, pedestres se arriscam ao cruzar as pistas de um lado para o outro.
Um ano e meio depois de construída, a passarela sobre a rodovia Marechal Rondon na altura do Jardim Nicéia não é a opção de todos os pedestres que atravessam as quatro pistas da via. Muita gente ainda se arrisca correndo de uma margem à outra da Rondon. Para eles, é melhor economizar alguns minutos e enfrentar o tráfego intenso à segurança oferecida alguns metros depois na passarela.
Há dois anos, moradores do Jardim Nicéia, bairro localizado às margens da Marechal Rondon, na altura do quilômetro 338, fizeram uma manifestação após uma tragédia. Mônica Aparecida Camargo da Silva e seu filho Lucas foram atropelados quando atravessavam a rodovia. Ela sofreu fraturas múltiplas e a criança morreu na hora.
Revoltados, moradores exigiram a construção de uma passarela na via. Como o Jardim Nicéia não possui escolas, unidades básicas de saúde ou farmácias, a população freqüentemente é obrigada a atravessar a rodovia para conseguir atendimento em bairros da zona sul. Em setembro de 2006, a passarela foi entregue à população.
Mas a travessia segura é deixada de lado por muitos pedestres. No final da tarde de ontem, o Jornal da Cidade flagrou dezenas de pessoas enfrentando o tráfego da rodovia, ainda mais intenso por conta do feriado prolongado do Dia do Trabalho. Mas a maioria era pessoas que trabalham em empresas da região. Os moradores do Jardim Nicéia, escolhiam a passarela.
“Não dá tempo de ir até a passarela e chegar até o ponto de ônibus. Acho que ela é mais para as crianças do bairro (Jardim Nicéia)”, afirma o montador Alexandre Francisco, 27 anos, sete deles atravessando de segunda a sexta-feira a Marechal Rondon. Ele não vê problemas em enfrentar o trânsito para chegar ao ponto de ônibus localizado na margem oposta da via. “É só prestar atenção”, diz.
Seu colega de trabalho, Everaldo de Oliveira Santos, 46 anos, também enfrenta a rodovia há sete anos e não pretende parar de “cortar” caminho. “Até hoje nem susto passei atravessando a rodovia”, conta. A passarela fica a menos de um quilômetro de onde eles trabalham. “Se a gente for até lá, perde o ônibus”, conta. Esta é a mesma preocupação do motorista Luiz Antônio Dias Mariano, 52 anos, há dez anos indo e voltando pela rodovia. “É uma volta muito grande ir até lá (passarela). Atravessar só precisa de atenção”, garante.
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Segurança
Dando um bom exemplo, três meninas utilizavam a passarela para cruzar a Rondon ontem. Moradoras do Jardim Nicéia e estudantes da Escola Estadual Christino Cabral, no Jardim Estoril, elas destacam a segurança oferecida pela estrutura metálica.
“Ficou bem melhor agora porque não acontece mais acidentes. Antes, a gente passava no desespero. Todos os dias ou esperava, ou saía correndo”, conta Laís Aparecida dos Santos, 13 anos. A estudante da 6.ª série do Christino Cabral lembra da tarde de 28 de março de 2006, quando o garotinho Lucas morreu. “Ele estava com a mãe atravessando a rodovia e perdeu o chinelo. Eles voltaram para pegar e foram atropelados. Agora, com a passarela, a gente fica mais despreocupada”, conta.
Sabrina Alexandra Tarda Bueno, 11 anos, conta que a sua família está mais tranqüila. “Antes, minha mãe sempre ficava preocupada. Tinha muito acidente. Agora, ela está mais sossegada”, afirma a aluna da 5.ª série.
Do trio de amigas, apenas Andreza Cristina Pereira, 13 anos, não teve, no passado, que enfrentar a Rondon para ir à escola. Ela se mudou há pouco tempo para o Jardim Nicéia. “Minha mãe fica muito mais preocupada quando eu volto da escola no escuro do que quando tenho que atravessar a pista. Sempre vou pela passarela”, revela.